sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Pacto Social pede encontro com missão da CEDEAO que chega sábado a Bissau

A missão da CEDEAO chega no sábado a Bissau e contará com a presença do Presidente da Serra Leoa, Julius Maada Bio, e do Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, e a sociedade civil quer ser ouvida, com a organização Pacto Social, que agrega 40 organizações e associações da sociedade civil, a pedir um encontro com esta missão.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) vai enviar este sábado uma nova missão à Guiné-Bissau. Esta missão vai ter como integrantes o Presidente da Serra Leoa, Julius Maada Bio, e do Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye. Segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, esta missão vai encontrar-se com o Alto Comando Militar, "no quadro do acompanhamento político e institucional da situação na Guiné-Bissau".

Ño entanto, a sociedade civil também quer ser ouvida, especialmente numa altura em que nenhum dos pontos previstos na resolução de Dezembro da CEDEAO face a esta mudança de regime em curso no país foi aplicada.

"A CEDEAO não tem que ser CEDEAO dos presidentes da República, tem de ser a CEDEAO dos povos. Nós não compreendemos como é que uma missão da CEDEAO vem até à Guiné-Bissau acompanhada por um alto-dirigente da ONU sem falar com a sociedade civil. Por isso é que nós queremos exigir, mais uma vez, que amanhã sejamos recebida pelo Presidente da República do Senegal para que possamos passar também as nossas mensagens. Claramente que da 68ª Sessão Ordinária da Conferência de Chefes de Estado da CEDEAO saíram várias decisões. Uma delas é a rejeição categórica do programa de transição. Nós não percebemos porque é que ainda não foi implementado nada. O apelo à libertação imediata dos presos políticos. Ainda estamos à espera. Nós não percebemos porque é que não foi cumprida a resolução da autorização da própria missão da CEDEAO de proteger os líderes políticos, as instituições do país. Mesmo o líder da sociedade civil que estão a ser raptados, torturados, nós pensamos também que devem merecer a protecção da CEDEAO. E nós não temos nenhuma dessas medidas implementadas", explicou Sabino Gomes Junior, signatário do Pacto Social.

O Pacto Social, que agrega cerca de 40 organizações e associações da sociedade civil guineense, organizou hoje uma conferência de imprensa de forma a fazer este apelo aos países da CEDEAO de forma a serem ouvidos.

Os abusos fo regime militar têm-se tornado cada vez mais visíveis, com Domingos Simões Pereira ainda detido com a recente morte de Luís, um jovem ajudante de "toca-toca", um transporte colectivo na Guiné-Bissau, a ter sido morto por militares sem quaisquer consequência para os agressores, como relata Sabino Gomes Junior, signatário do Pacto Social.

"Têm-se intensificado o número de casos de violação de direitos humanos. Não se percebe como é que um jovem como o Luís pode ser agredido por militares e os agressores têm em mente que nada lhes vai acontecer. E foi provado quando os moradores do bairro saíram para reclamar e aparecem lá há mais de dez carros de militares e da polícia a atropelar. Até hoje ainda temos vários activistas no hospital. A família não tem meios para pôr cobro a essa situação. Mas é esse sentimento de medo que paira. Querem o povo da Guiné-Bissau amedontrado e que não possa manter a luta firme. Por isso é que exigimos nesta carta que foi entregue que se possa ouvir a sociedade civil", concluiu o activista.

RFI

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