A ex-ministra da Justiça, Carmelita Pires disse na sua publicação na rede social Facebook que “a Guiné-Bissau está numa encruzilhada”, descrevendo que “desde o conflito político-militar de 1998, o país foi sendo lentamente apropriado — primeiro pela instabilidade, depois pelos oportunistas”.
“ A cidade, antes viva e orgulhosa, foi tomada por quem se alimentou do descalabro do Estado, da debilidade das instituições e das valências do narcotráfico. A justiça — outrora bandeira de esperança — foi sendo transformada em arma. Os verdadeiros heróis da revolução militar, que nasceu sob o ideal de justiça e liberdade, desapareceram um a um: uns pela ingratidão, outros pela pobreza e muitos pela violência e vingança”, lê -se na publicação da advogada tornada pública este domingo, 5 de Outubro.
De acordo com a antiga governante “hoje, restam poucos — e o que resta da cidade pertence aos que dela se aproveitaram, aos piores dos nossos e a estrangeiros que a ocuparam, sem resistência”.
“Vivemos um fenômeno de apropriação total: do Estado, da economia, da identidade. Adotámos o Kala como ornamento de poder e como símbolo de domínio, e com isso abrimos as portas a um Estado que ataca a sua própria diversidade — étnica, religiosa e cultural. Chegámos ao fundo! Socialmente divididos, economicamente exauridos, juridicamente desacreditados e politicamente capturados”.
Neste âmbito, Carmelita Pires disse ainda, “mas há uma força ainda viva: a diáspora guineense. Lá estão os nossos melhores filhos e filhas — médicos, professores, engenheiros, juristas, artistas, académicos, jovens empreendedores, empregados, domésticas, carpinteiros, (…) Lá estão os que ainda acreditam que a Guiné-Bissau pode renascer. A diáspora não é apenas um conjunto de guineenses no exterior — é o pulso da nação em repouso forçado”.
“É onde se refugiaram o conhecimento, a competência, a ética e a coragem que faltam hoje nas nossas instituições”, escreveu.
Para a antiga governante “é justamente por isso que a hora é agora. A diáspora tem de se levantar, organizar e falar. Não apenas em solidariedade, mas em ação, exigir eleições verdadeiras e transparentes; mobilizar recursos e conhecimento para reconstruir o Estado; denunciar, nas capitais estrangeiras, as violações e manipulações que nos prendem; e, sobretudo, reapropriar-se do sonho nacional”.
“A diáspora guineense tem, mais do que nunca, uma missão histórica: salvar o país da indiferença e da captura total. Porque quando o silêncio reina em casa, cabe a quem está fora fazer ecoar a voz da dignidade”, insistiu.
No entendimento de Pires “a Guiné-Bissau não precisa de salvadores — precisa de consciência. E essa consciência vive espalhada pelo mundo, em cada guineense que, mesmo longe, carrega a pátria no coração. A história mostra que nenhum povo se liberta duas vezes — a segunda libertação é sempre moral. A primeira foi feita com armas; a segunda tem de ser feita com ideias, coragem e unidade”.
“Guiné-Bissau chama os seus filhos. Quem ama, responde. Quem acredita, regressa — mesmo que seja pela palavra, pela ação ou pelo voto. Diáspora Guineense, é hora de reerguer a nação!”, Concluiu.
05/10/2025
Por CNEWS

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