Entrevista à France 24 & RFI do presidente senegalês, na sede da ONU em Nova Iorque, a 24 de Setembro de 2026. © FMM
Nova Iorque, EUA – O actual Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, defendeu em entrevista à RFI e ao canal de televisão France24, a candidatura do seu antecessor, Macky Sall, ao cargo de Secretário Geral das Nações Unidas, para suceder ao português Antonio Guterres, cujo mandato termina a 31 de Dezembro deste ano.
A entrevista de Bassirou Diomaye Faye ocorreu em Nova Iorque a 24 de Setembro, à margem da Assembleia Geral da ONU de 2026, através da qual se referiu, de entre outros temas, à crise que a ONU enfrenta e à sucessão de Antonio Guterres, de Portugal, como Secretário-Geral das Nações Unidas.
O presidente senegalês defendeu que o actual estado da ONU é um motivo para lembrar o que esteve na origem da criação desta organização. Tínhamos acabado de sair de um contexto pós-Segunda Guerra Mundial
Na opinião de Bassirou Diomaye Faye, com a devastação actualmente em curso
O mundo não podia permanecer impotente ou esperar para mergulhar em tal caos para evitar uma guerra desta magnitude. Por isso, devemos sempre lembrar a ideia original. E é precisamente porque as Nações Unidas já não cumprem a missão original que, na opinião de muitos observadores, devemos interessar-nos por elas, reformá-las e fazer com que desempenhem o papel que deveria ter sido deles, fazê-las assumir a missão para a qual foram criadas. Esta organização continua a ser importante. Hoje, devemos trabalhar para garantir que o multilateralismo assuma as iniciativas bilaterais.
Bassirou Diomaye Faye defendeu também o programa de ajuda de 2,2 mil milhões de dólares assinado com o FMI a 1 de Setembro e apelou aos opositores do plano, personificados em particular pelo seu antigo primeiro-ministro e ex-aliado político Ousmane Sonko, a adoptarem um "comportamento patriótico" durante a futura votação sobre a lei de emenda das finanças do seu país.
Específicamente interrogado quanto à candidatura do seu antecessor, ao cargo de Secretário Geral das Nações Unidas, o Presidente Senegalês foi peremptório:
Não partilho desse pessimismo sobre a candidatura do antigo Presidente do Senegal, Sr. Macky Sall. Pelo contrário, penso que ainda tem todas as hipóteses de sucesso. Na realidade, aqueles que têm, ou que são considerados como tendo oportunidades, só o serão quando os cinco decidirem que a sua candidatura será aprovada. Ainda não sabemos quais serão os votos dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
O jogo permanece aberto. Estamos a fazer o trabalho. Do nosso ponto de vista, estamos a negociar com quem vota, com quem detém a decisão, e acredito, contráriamente a estas previsões, que as hipóteses do ex-presidente Macky Sall são reais. Mas o que gostaria de enfatizar é o perfil do candidato. E creio que acabou de mencionar algo de relevante: que África está sub-representada na ONU.
O actual presidente em exercío do Senegal, reforçou o seu apoio ao antecessor Macky Sall, como antigo chefe de Estado e ex-adversário político, na sua candidatura à sucessão de António Guterres no cargo de Secretário Geral da ONU, rematando:
Quem melhor para defender a reforma da arquitetura financeira internacional do que o Presidente Macky Sall?
Por: Nelson Nascimento
rfi.fr/pt/

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