terça-feira, 9 de abril de 2024

Liga Guineense dos Direitos Humanos denuncia mais de dez homicídios nos últimos meses

Liga Guineense dos Direitos Humanos, manifesta sua preocupação, face ao crescimento das ondas de violências no país

A Liga Guineense dos Direitos Humanos denunciou hoje, em Bissau, ter registado mais de dez homicídios nos últimos dois meses e pediu apoios para a Polícia Judiciária (PJ) no combate ao flagelo.

Falando no final de um encontro de trabalho com a direção da PJ, Guerri Gomes, secretário nacional para Comunicação e Relações Públicas da Liga, afirmou que a reunião foi solicitada pela organização de defesa dos direitos humanos para saber "que medidas de mitigação" está esta polícia a tomar perante a onda de violência dos últimos tempos na Guiné-Bissau.

"Em dois meses registámos mais de dez homicídios, ondas de espancamentos e agressões de cidadãos, muitas das vezes perpetradas por agentes do Estado", afirmou Gomes, para quem estas situações são "violações gritantes" dos Direitos Humanos e das leis do país.

Segundo Guerri Gomes, a direção da PJ disse à Liga que está ao corrente desta onda de violência e explicou que muitos desses crimes ocorrem nas regiões do interior do país, onde a corporação não tem serviços montados de forma permanente.

A PJ guineense só possui sede em Bissau, embora regularmente efetue missões às regiões do interior do país.

Além desse constrangimento, a PJ relatou à Liga estar com falta de meios materiais e humanos perante as demandas da população, acrescentou o ativista.

"Exortamos ao Governo que veja a PJ como instrumento fundamental para combater o crime na Guiné-Bissau. O Governo deve equipar a PJ como tem feito com outras corporações policiais", defendeu o responsável da Liga Guineense dos Direitos Humanos.

Guerri Gomes aproveitou a ocasião para lançar um apelo aos parceiros internacionais que trabalham na promoção dos Direitos Humanos para que também apoiem a PJ.

A Liga dos Direitos Humanos "saiu satisfeita" do encontro com a direção da PJ ao ser informada sobre a iminência de o país passar a ter o seu primeiro laboratório de autópsia.

"Isso vai possibilitar o apuramento científico de vários crimes que acontecem no país", sublinhou Guerri Gomes.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos insurgiu-se contra a "onda de feminicídio" na sequência do assassínio de duas mulheres em localidades rurais de Gabú, no leste do país e, na semana passada, organizou, na Casa dos Direitos, uma vigília de denúncia e de chamada de atenção da sociedade.

A organização também diz estar preocupada com a onda de ataques aos lugares de culto por parte de pessoas ainda por identificar.

Conosaba/Lusa

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