Bubacar Turé, Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos. © Filomeno Sambu/RFI
O primeiro-ministro de transição da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, anunciou no último fim de semana o fim da política do medo e da intimidação no país.
A declaração surge poucos dias antes das mudanças efectuadas nos serviços de segurança e em várias instituições do Estado, nomeadamente no Serviço de Informação e Segurança (SIS), na Procuradoria-Geral da República, no Tribunal de Contas e na Brigada Anticorrupção e Fraudes (BAF).
Para Bubacar Turé, presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, a ruptura defendida pelas novas autoridades deverá traduzir-se em medidas concretas.
Segundo o activista, a consolidação dessa mudança passa pela libertação de todos os detidos considerados presos políticos.
“Uma verdadeira ruptura com as práticas ilegais com os cidadãos, instituições deste país que foram, modus operandi, do regime anterior, tem de significar o fim dessas acções por respeito escrupuloso da lei, sobretudo a libertação imediata e incondicional de todos os detidos políticos”, defendeu.
Ilídio Vieira Té fez estas declarações em Catió, no sul do país, durante uma cerimónia de inauguração da iluminação eléctrica da cidade.
Perante a população, o chefe do Governo falou de uma nova era política e afirmou que o tempo da intimidação e das demonstrações de força deve ficar para trás. O governante sustentou ainda que ninguém deve ser impedido de expressar opiniões e críticas.
“Quem não quer críticas, que fique na sua casa”, declarou.
Durante a intervenção, o primeiro-ministro defendeu que a Guiné-Bissau precisa de paz, união e do abandono definitivo da política do medo.
Numa mensagem apresentada, como de ruptura com práticas do passado e contra os abusos de poder, Ilídio Vieira Té afirmou que ninguém tem o direito de impedir outra pessoa de falar e apelou à valorização de críticas construtivas e pedagógicas.
Por: RFI

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