segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Fernando Dias defende consenso nacional após referendo e critica autoridades de transição

O líder de uma das alas do Partido da Renovação Social (PRS), Fernando Dias da Costa, apelou esta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, às autoridades de transição para criarem condições para um “verdadeiro diálogo nacional”, com vista ao restabelecimento da legalidade democrática. Segundo o político, o povo guineense deseja paz e estabilidade assentes na legitimidade.

Fernando Dias, que concorreu às eleições presidenciais anuladas após o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, fez o apelo numa mensagem divulgada na sua página do Facebook, em reação ao referendo nacional realizado no domingo.

Na mensagem consultada por O Democrata, Dias apelou à serenidade dos cidadãos, exortando-os a não responderem a provocações nem permitirem que divergências políticas se transformem em conflitos entre irmãos. Dirigiu igualmente um apelo às autoridades de transição e à comunidade internacional para que escutem a mensagem transmitida pela população e não interpretem a ausência de participação popular como uma vitória política.

“O povo da Guiné-Bissau quer paz, uma paz fundada na justiça, assim como quer estabilidade sustentada pela legitimidade”, afirmou.

Fernando Dias considerou que a fraca participação registada no referendo constitui uma mensagem política que não deve ser ignorada ou desvalorizada. Na sua opinião, os cidadãos demonstraram não estar dispostos a legitimar um processo conduzido sem consenso nacional, sem participação efetiva das forças políticas e sociais e sem a transparência exigida por lei.

O dirigente criticou ainda as atuais autoridades de transição, acusando-as de promover um processo constitucional à margem de um verdadeiro diálogo nacional e associado ao projeto político do ex-Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló.

Segundo Fernando Dias, a democracia não se resume à realização formal de uma votação, exigindo também legalidade, liberdade, transparência, pluralismo, participação e confiança nas instituições.

“Quando essas condições não estão plenamente garantidas, o povo tem o direito de manifestar pacificamente a sua discordância, inclusive recusando-se a legitimar um processo no qual não se reconhece”, declarou.

O político afirmou ainda que a posição adotada pelos cidadãos não representa uma defesa da instabilidade ou do vazio institucional. Pelo contrário, disse, reflete a aspiração a uma Guiné-Bissau estável, democrática e reconciliada, onde a Constituição represente todos os guineenses e não apenas interesses de grupos ou conjunturas políticas específicas.

Embora reconheça a necessidade de rever e aperfeiçoar a Constituição da República, Fernando Dias defendeu que esse processo deve ser legítimo, inclusivo e transparente, com a participação das forças políticas, sindicatos, organizações da sociedade civil, associações juvenis e femininas, autoridades tradicionais e religiosas, diáspora e especialistas nacionais.

“A Constituição deve unir o país, proteger os direitos e as liberdades dos cidadãos, garantir o equilíbrio entre os órgãos de soberania e impedir a concentração abusiva de poderes numa única figura”, defendeu.

Por: Carolina Djeme
odemocratagb

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