Lisboa, 15 abr 2026 (Lusa) — O presidente da Célula Nacional de Tratamento de Informações Financeiras da Guiné-Bissau (CENTIF-GB), Justino Sá, considera que os partidos políticos são os principais incentivadores e promotores da corrupção no aparelho de Estado, sobretudo em períodos eleitorais.
A opinião de Justino Sá surgiu hoje na imprensa guineense, citando uma entrevista dada à uma rádio de Bissau e consultada pela Lusa nas redes sociais, na qual foi solicitado um comentário sobre o nível do combate à corrupção e branqueamento de capitais na Guiné-Bissau.
O presidente da CENTIF-GB observou que “vários cidadãos” são compensados com cargos públicos por terem financiado ou apoiado partidos políticos em períodos eleitorais, “mesmo estando envolvidos em práticas de corrupção ou de branqueamento de capitais”.
Justino Sá notou ainda que quando essas pessoas são chamadas a responder na justiça os partidos “saem em sua defesa”.
O responsável defende, no âmbito da CENTIF-GB “medidas rigorosas” como forma de travar os dois fenómenos o que, disse, passará pela responsabilização e “punições severas” de qualquer pessoa que lesar o Estado, que pratique a corrupção ou branqueamento de capitais.
A lei-quadro dos Partidos Políticos na Guiné-Bissau defende as regras para o financiamento público e privado da atividade partidária, mediante a observância de mecanismos de transparência, no entanto, relatos das organizações da sociedade civil de alguns setores partidários, apontam para suspeitas de fundos de natureza duvidosa, sobretudo durante a campanha eleitoral.
As mesmas entidades acusam as autoridades guineenses de falta de mecanismos de fiscalização eficazes.
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