sexta-feira, 3 de abril de 2026

MINISTÉRIO PÚBLICO PEDE PRISÃO PREVENTIVA PARA SUSPEITOS DE ABANDONO DE RECÉM-NASCIDO EM CUPUL


O Ministério Público requereu ao Juiz de Instrução Criminal (JIC) a aplicação da medida de coação de prisão preventiva a dois cidadãos suspeitos de envolvimento no caso de abandono de uma criança recém-nascida na margem do rio de Cupul, na zona da praia Tcherninho, em Bissau.
De acordo com uma nota à imprensa divulgada esta sexta-feira, 03 de abril, o pedido foi formalizado na quinta-feira, 02 de abril, e incide sobre um homem identificado como suposto vidente/curandeiro tradicional e uma mulher, avó da vítima. Ambos são suspeitos de coautoria nos crimes de ofensas corporais graves, tentativa de homicídio, abandono e exposição.
O caso remonta ao dia 21 de março, quando os dois suspeitos terão abandonado um bebé do sexo masculino na margem da praia Tcherninho, no bairro de Enterramento, em Cupul. Segundo as autoridades, os envolvidos alegaram que a criança apresentava características “anormais”, motivo pelo qual decidiram deixá-la no local.
Após a denúncia, o Ministério Público desencadeou diligências para apurar os factos, tendo identificado, detido e interrogado os suspeitos. Durante os procedimentos, os mesmos confessaram a prática do crime.
Em sede de audição perante o magistrado titular do processo, os arguidos justificaram o ato com base em crenças tradicionais, alegando tratar-se de um ritual destinado a fazer regressar a criança ao mar, considerado por eles como o “mundo dos irãs”.
Face aos elementos recolhidos, o Ministério Público entende existirem fortes indícios da prática dos crimes e considera que a liberdade dos suspeitos pode comprometer o normal andamento da investigação. Por essa razão, solicitou ao JIC a aplicação da prisão preventiva.
Relativamente à mãe da criança, também constituída arguida, foi aplicada uma medida de coação menos gravosa, apresentação periódica às autoridades, permitindo-lhe acompanhar o filho, que se encontra hospitalizado sob cuidados médicos.
Segundo a mesma fonte, o caso continua sob investigação.

RSM: 03 04 2026

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