O Governo da Guiné-Bissau, através do Ministério das Finanças Públicas, acumula uma dívida correspondente a seis meses de pagamentos em atraso com o Grupo DP, SA, empresa responsável pelos serviços de limpeza, jardinagem e evacuação de resíduos no Hospital Nacional Simão Mendes, o maior estabelecimento hospitalar do país.
Segundo informações apuradas, o incumprimento financeiro colocou a empresa — conhecida localmente por “Jesus” — numa situação crítica, sem capacidade para pagar salários aos trabalhadores nem para adquirir produtos de limpeza e combustível necessários à remoção de resíduos hospitalares. Esta situação está a comprometer seriamente as condições mínimas de higiene da unidade de saúde.
Numa carta datada de 13 de janeiro do corrente ano, dirigida ao ministro da Saúde, o Grupo DP alerta para a rutura de stock de produtos de limpeza, advertindo que a continuidade dos serviços contratualizados poderá ficar comprometida. No documento, a empresa esclarece que a situação resulta do incumprimento do contrato por parte do Ministério das Finanças, devido à falta de pagamentos regulares.
De acordo com a mesma correspondência, a dívida refere‑se aos meses de setembro de 2023, dezembro de 2023, novembro e dezembro de 2024, dezembro de 2025 e janeiro de 2026, perfazendo um total de seis meses de incumprimento contratual.
Nos termos do acordo celebrado entre as partes, o Estado paga mensalmente ao Grupo DP um montante de 17.500.000 francos CFA pelos serviços prestados. Contudo, a interrupção dos pagamentos inviabilizou a capacidade operacional da empresa para assegurar condições adequadas de higiene e saneamento no Hospital Nacional Simão Mendes.
No total, o Ministério das Finanças acumula uma dívida estimada em cerca de 105 milhões de francos CFA, correspondente aos seis meses de pagamentos em atraso.
Uma fonte hospitalar revelou ainda que a empresa enfrenta dificuldades extremas, não dispondo sequer de recursos para adquirir produtos básicos, como lixívia, cujo custo unitário ronda os 500 francos CFA. Segundo a mesma fonte, nos últimos tempos, os trabalhadores realizavam a limpeza apenas com água, sem recurso a detergentes ou desinfetantes apropriados.
A mesma fonte indicou também que o Ministério das Finanças terá denunciado o contrato de prestação de serviços em outubro de 2025. No entanto, até ao momento, a empresa continua a operar nas instalações do Hospital Simão Mendes, não tendo sido formalizada a sua substituição nem celebrado novo contrato com outra entidade prestadora de serviços.
Por: redação
O Democrata / e‑Global

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