segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Guiné-Bissau. FMI chega a acordo técnico para nona e décima revisão do programa


O Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a acordo técnico com a Guiné-Bissau sobre o programa de ajustamento financeiro, o que permitirá o desembolso de 3,3 milhões de dólares, sujeito a aprovação pela direção do Fundo.

"O FMI e a Guiné-Bissau chegaram a um acordo técnico sobre as políticas económicas que poderão sustentar a nona e décima revisões da Facilidade de Crédito Ampliado [ECF, na sigla em inglês]; este acordo está sujeito a aprovação da direção do FMI, e dependente da implementação das ações previamente acordadas", lê-se num comunicado do FMI enviado à Lusa.

No comunicado, o FMI explica que, "se a revisão for completada, a Guiné-Bissau terá acesso a aproximadamente 3,3 milhões de dólares", cerca de 2,7 milhões de euros, e acrescenta que, apesar do atraso no programa devido ao golpe de Estado, os militares no poder mostraram-se empenhados em cumprir os objetivos do programa.

"Na sequência do acordo técnico alcançado em outubro de 2025 para a nona revisão, a implementação do programa em algumas áreas foi adiada devido à tomada do poder pelos militares em novembro de 2025; não obstante este desenvolvimento e as crescentes restrições financeiras, o governo de transição manifestou um forte compromisso com os objetivos do programa apoiado pela ECF", escrevem os técnicos do Fundo, no final da missão ao país, que decorreu de 03 a 13 de fevereiro.

No comunicado, o FMI anuncia ainda que "foi alcançado um acordo para prorrogar o programa por cinco meses, até 29 de dezembro de 2026", e sustenta que este prolongamento do programa "tem como objetivo consolidar as políticas económicas e apoiar a implementação do orçamento de 2026, que é fundamental para manter a sustentabilidade da dívida".

Citado no texto, o chefe de missão do FMI à Guiné-Bissau, Niko Hobdari, disse que "o crescimento económico da Guiné-Bissau deverá ter ficado nos 5,5% em 2025", com a inflação a descer para 0,9%, a dívida pública deverá ter melhorado para 74,3% do PIB, num contexto em que "a consolidação orçamental e políticas prudentes de endividamento são fundamentais para manter a dívida pública numa trajetória firme de descida a médio prazo".

A implementação do programa "enfrentou atrasos após a mudança de governo em novembro de 2025, o que, juntamente com condições financeiras regionais mais restritivas, aumentaram as restrições de financiamento e prejudicaram o desempenho do programa", escreve Hobdari, acrescentando que, "apesar destes ventos contrários, as autoridades de transição manifestaram um forte empenho nos objetivos do programa e tomaram medidas para reforçar a disciplina orçamental".

Entre estas medidas, o chefe de missão do FMI salienta "o reforço do controlo das despesas e a manutenção de um limite máximo zero para outras despesas comuns nos últimos meses" e afirma que "as autoridades já tomaram várias medidas corretivas acordadas durante a nona missão de revisão da ECF, em outubro, e têm vindo a implementar medidas adicionais em matéria de receitas e despesas como ações prévias das nona e décima revisões combinadas".

Há um mês, o FMI tinha anunciado que estava a "reavaliar o programa de assistência financeira à Guiné-Bissau, em curso desde 2023, aprovado no final de janeiro de 2023, num total de 37,9 milhões de dólares (32,6 milhões de euros), e aumentado no final desse ano para cerca de 53 milhões de dólares (46 milhões de euros).

Deste valor, a Guiné-Bissau já recebeu cerca de 50 milhões de dólares, mais ou menos 43 milhões de euros, desde o início do programa, em janeiro de 2023.

Os militares tomaram o poder a 26 de novembro de 2025, três dias depois das eleições gerais e um dia antes da divulgação dos resultados oficiais.

Lusa/16 Fevereiro 2026, 18:33

COMUNIDADE GUINEENSE DE CONACRI DOA MEDICAMENTOS AO HOSPITAL REGIONAL DE BAFATÁ PARA APOIAR VÍTIMAS DE INCÊNDIO



O Hospital Regional de Bafatá recebeu, esta segunda-feira, 16 de fevereiro, um lote de medicamentos destinados ao reforço do tratamento das vítimas do incêndio recentemente ocorrido na cidade.

A doação foi efetuada pela comunidade guineense de Conacri residente em Bafatá, num gesto de solidariedade para com os feridos e para apoiar a resposta da unidade hospitalar face à situação de emergência.

De acordo com informações recolhidas pela Rádio Sol Mansi, os medicamentos serão imediatamente integrados no plano de assistência médica aos pacientes afetados pelo incêndio, contribuindo para suprir necessidades prioritárias no atendimento e na recuperação dos mesmos.

A direção do hospital agradeceu o gesto e apelou à continuidade da mobilização solidária da sociedade para apoiar as vítimas.

RSM | 16.02.2026

«REPORTAGEM» ANTIGO INTERNACIONAL *ASTRO* GUINEENSE, AMADU NOGUEIRA PINTO SAMBÚ, É O ENTREVISTADO. "MISTER OLIVEIRA, CHAMAVA-ME DE EUSÉBIO", DIZ O AMADU NOGUEIRA

Natural de Mansoa, Guiné-Bissau, Amadu Nogueira Pinto Sambú, foi jogador Internacional pela selecção da Guiné, e, representou vários clubes em Portugal e teve a sua passagem no Qatar Sport Club (Ásia) na época 1995/1996 e 1997/1998.


PROTEÇÃO CIVIL DIZ NÃO TER MEIOS PARA COMBATER INCÊNDIOS DE COMBUSTÍVEL NA GUINÉ-BISSAU


O Serviço Nacional da Proteção Civil e Bombeiros afirmou não estar em condições de combater incêndios provocados por líquidos inflamáveis no país.

A informação foi avançada esta segunda-feira pelo comandante da corporação do Bombeiro, Francisco Correia, durante o programa Nô Segurança da Rádio Sol Mansi, sob o tema “Perigo do depósito de combustível a céu aberto”.

Numa menção ao recente incêndio num depósito de combustível na cidade de Bafatá, Correia explicou que há cerca de 40 anos os bombeiros não dispõem de espuma ou outros produtos especiais necessários para apagar incêndios de combustível e afirmando desde que chegou o bombeiro nunca viu este tipo de incêndio.

“Não temos condições de enfrentar incêndios provocados por combustível porque não temos os produtos necessários”, afirmou Correia.

Francisco Correia alertou ainda que a falta de equipamentos e de capacidade de resposta pode comprometer a segurança de investimentos no país, devido à proliferação de contentores.

“Quem quiser investir e vir o serviço de bombeiros sem condições terá dificuldade, porque o país está cheio de contentores de combustível”, advertiu Comandante da Corporação.

Questionado sobre o que a população deve fazer em caso de incêndio deste tipo, o comandante recomendou a evacuação imediata da área afetada, permitindo que as equipas tentem controlar o fogo.

“A primeira medida é retirar a população da zona e depois os bombeiros tentam combater o incêndio”, explicou Francisco Correia.

Recorde-se que uma das vítimas do incêndio em Bafatá, transferida para tratamento no Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, morreu na madrugada de domingo, 15 de fevereiro. Dezenas de feridos continuam em tratamento.

RSM 16 02 2026

“O racismo mata”: precariedade agrava saúde mental de migrantes em Portugal


Edna Tavares, psicóloga clínica, que trabalha no apoio à saúde mental de pessoas migrantes e afrodescendentes. © RFI/Lígia Anjos

A psicóloga cabo-verdiana, Édna Tavares, alerta que o racismo, a discriminação e a precariedade laboral são hoje os factores que mais pesam na saúde mental das pessoas migrantes em Portugal. Entre processos de legalização, invisibilidade e falta de acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), muitas vivem em stress contínuo, sem tempo nem condições para parar e cuidar de si.

A psicóloga clínica cabo-verdiana Édna Tavares não tem dúvidas sobre o que hoje mais fragiliza a saúde mental das pessoas migrantes em Portugal: “o que pesa mais é a questão do racismo, a questão da discriminação”. No seu trabalho diário com migrantes e afrodescendentes, sublinha que estes factores se acumulam a um contexto de “visibilidade” desigual e a um silêncio persistente em torno do sofrimento psicológico.

Para a especialista, a saúde mental continua a ser “um tabu relacionado às pessoas migrantes”, e muitas chegam já com “uma carga emocional muito forte que não é valorizado”. A experiência migratória, diz, não é apenas um processo administrativo ou laboral: é também uma vivência emocional que, muitas vezes, não encontra espaço para ser reconhecida nem tratada.

Entre os elementos que mais pesam, Édna Tavares destaca ainda “a situação no contexto da legalização”, que se torna um foco constante de ansiedade. A incerteza documental, associada à falta de informação e à invisibilidade social, agrava a sensação de instabilidade e coloca muitas pessoas num estado permanente de alerta.

Ao mesmo tempo, a precariedade laboral surge como uma ferida estrutural. A psicóloga refere “a questão da discriminação laboral” e o facto de “haver muitas pessoas também na precariedade do trabalho”, realidade que “acaba por afectar em grande parte a questão da saúde mental”. Para muitos, o emprego não é sinónimo de protecção, mas de exploração, sobretudo quando o estatuto documental fragiliza a capacidade de denúncia.

Questionada sobre se é possível cuidar da saúde mental quando não há tempo para parar, a resposta é directa: “Não.” E explica porquê: “as pessoas não têm condições sociais que lhe permita parar” e, mesmo quando sentem que algo está errado, a sobrevivência diária impõe-se. No terreno, observa um dilema cruel: “entre escolher pôr a comida na mesa e tratar da saúde mental”.

A psicóloga descreve esta relação de acompanhamento como “uma relação muito ingrata”, porque o desejo de ajudar confronta-se com uma hierarquia de urgências: “tem que pagar a renda”, “as pessoas têm que comer”, “tem os filhos para levar para escola”, “tem a questão da documentação”. Mesmo quem trabalha e desconta “muitas das vezes mesmo assim há empresas que exploram”.

O impacto psicológico desse dia-adia, diz, é profundo. “Sim, tem um impacto grande”, confirma, explicando que o sofrimento se manifesta “no stress” e em episódios de ruptura visíveis no espaço público. Em casos extremos, o quadro degrada-se: “muitas das vezes aquilo que vimos é o suicídio”, e a dor deixa de ser apenas mental, tornando-se também física: “a descarga toda depois já vem para o físico”.

Édna Tavares insiste num ponto que considera incontornável: “o racismo tem impacto clínico”. E vai mais longe: “o racismo mata”. A violência não é apenas explícita; existe também “racismo silencioso” e “racismo institucional”. E, apesar de ser crime, denuncia um paradoxo: “provar o racismo, como é que se prova o racismo?”. Para quem já está fragilizado, acrescenta, é uma exigência devastadora: “a pessoa já está num momento muito vulnerável de saúde mental, ainda tem que provar que é vítima do racismo”.

Perante esta realidade, a resposta do sistema de saúde, segundo a psicóloga, está longe de ser suficiente. “Não”, afirma quando questionada sobre a preparação dos serviços. “Temos um déficit muito grande da saúde mental”, afirma, apontando também barreiras concretas: “muitas pessoas não estão inscritas”, “muitas pessoas não se conseguem inscrever” e, em casos ainda mais graves, quem “não tem um documento” e ficam sem acesso ao SNS.

Mesmo onde existem associações e respostas comunitárias, o caminho não é simples. Há “muita desinformação”, “pouca literacia” e dificuldades práticas, como deslocações e falta de confiança. “Multiplica vulnerabilidade”, resume, explicando que a fragilidade social se transforma rapidamente em fragilidade psicológica e vice-versa.

Quanto ao papel do Estado, Édna Tavares é contundente: “O estado não faz nada.” Para ela, o mínimo seria “mais meios”, mas também um reconhecimento claro do problema: “o estado tem que aceitar a discriminação, tem que aceitar que existe racismo, que o racismo cria desigualdades”. Defende ainda respostas de proximidade: “ter psicólogos, ter enfermeiros, ter pessoas capacitadas para reduzir ou minimizar o risco da exclusão”.

No centro de tudo, permanece o silêncio. “Falar-se de saúde mental imigrante não existe. Não existe. Não existe mesmo”, lamenta. A psicóloga integra uma rede de profissionais afrodescendentes e migrantes, a Afropsis, e afirma que até os próprios profissionais sentem esta realidade: “sentimos isso na pele”. E denuncia preconceitos persistentes: “dizem sempre imigrantes não tem problemas de saúde mental”, “imigrantes não têm depressão”, “imigrantes não sentem”.

Sem tempo, sem recursos e sem reconhecimento, muitos acabam por “silenciar” a dor. A psicóloga descreve estratégias de sobrevivência: trabalho incessante, tradições, “a música, com a dança”. Porque, como resume de forma brutalmente simples, “nós não temos tempo para chorar, não temos tempo para conviver, só temos tempo para trabalhar”. E, quando chega a noite, resta apenas o esgotamento: “quando chegamos a casa já é tarde”.

Por fim, Édna Tavares aponta ainda um vazio estatístico que, para si, não é inocente. “Não há dados sobre real dimensão populacional de imigrantes em Portugal”, afirma. E acrescenta: “nem propriamente o estado não tem números de imigrantes de certeza absoluta”, o que considera “uma escolha também de não recensear a sua população”. Num país onde milhares vivem na clandestinidade e na invisibilidade, conclui, a ausência de números é também uma ausência de responsabilidade.

Por:Lígia ANJOS
rfi.fr/pt

Guiné-Bissau: Autoridades acusam Cabo Verde e Angola de "incoerência" e "fachada democrática"



As autoridades de transição da Guiné-Bissau classificaram hoje de "incoerência" e "fachada democrática" as declarações dos chefes de Estado de Cabo Verde e Angola sobre a crise política guineense na cimeira da União Africana.

O Conselho Nacional de Transição (CNT) reagiu, em comunicado lido pelo porta-voz Fernando Vaz e transmitido pela imprensa local, às posições assumidas pelos Presidentes de Cabo Verde, José Maria Neves, e de Angola, João Lourenço, durante o fim de semana, em Adis Abeba, na Nigéria.

Na 39.ª Cimeira da União Africana, organização que suspendeu a Guiné-Bissau desde o golpe militar de novembro de 2025, o chefe de Estado angolano condenou as mudanças inconstitucionais de governos no espaço da organização, posição corroborada pelo chefe de Estado de Cabo Verde.

As autoridades de Bissau reagiram hoje ao posicionamento dos dois líderes africanos, referindo-se à "postura de determinados chefes de Estado que, sob a capa de uma falsa diplomacia, tentam dar lições de moral e democracia à Guiné-Bissau enquanto as suas próprias casas padecem de muitos e outros males".

No comunicado lido por Fernando Vaz, Bissau refere-se "a memória curta" e a "incoerência" do Presidente de Cabo Verde, acrescentando que "tenta ressurgir com um discurso de preocupação pedagógica e sofrendo uma amnésia seletiva, para legitimar a sua interferência externa e a perceção de hipocrisia nas relações diplomáticas regionais".

Para as autoridades de transição guineenses, José Maria Neves, esquece-se que "a certidão de nascimento de Cabo Verde foi escrita com sangue derramado nas matas da Guiné-Bissau".

"A Guiné-Bissau não esquece quem lhe voltou as costas num momento crítico. Quem opta pela omissão estratégica não tem autoridade moral para vir depois tentar ditar regras de conduta. A soberania da Guiné-Bissau não é um joguete para exercícios de retórica em fóruns internacionais", acrescentou.

Para Bissau, "quando Neves se cala com as ofensas de Xanana Gusmão", que considerou a Guiné-Bissau "um Estado falhado", e com as lições de moral de João Lourenço, "valida uma hierarquia hipócrita da CPLP", a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, da qual os três Estados são membros.

O comunicado de Bissau aponta a seguir o que considera os "dois paradoxos", o golpe de urnas e o golpe de armas, do Presidente de Angola, João Lourenço.

"O Presidente angolano esquece-se, por conveniência, que eleições fraudulentas e processos viciados constituem por si só golpes constitucionais. Em Angola, o mundo assistiu a processos eleitorais onde a transparência foi sacrificada no altar da manutenção do poder", referiu.

Para o poder instalado em Bissau, o que ocorreu em Angola foi um golpe de Estado "feito de urnas manipuladas, esse mais pernicioso que o militar, pois é um golpe sem rosto, silencia a oposição, amordaça as instituições e mantém uma fachada democrática para consumo externo".

"Quem governa sob a sombra da fraude não pode apontar o dedo a crises de legitimidade alheias. A Guiné-Bissau exige respeito. Antes de olharem para Bissau, estes líderes olhem para os seus próprios problemas internos", prossegue o comunicado.

Para as autoridades guineenses, "Cabo Verde deve preocupar-se em resolver as suas crescentes tensões sociais e o desgaste das suas próprias instituições" e "Angola deve primeiro realizar eleições que não suscitem dúvidas globais sobre a sua veracidade".

"Ninguém pode dar lições de democracia, quando usa a própria democracia como máscara para o autoritarismo", acrescenta, concluindo que "a Guiné-Bissau resolverá os seus problemas sem a ingerência de quem confunda amizade histórica com vassalagem política".

*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***

Lusa 

Proibida venda de combustíveis em contentores após incêndio com 163 vítimas na Guiné-Bissau


Prática, que é habitual no país, passa a ser proibida depois do incidente, que provocou um morto.

O primeiro-ministro do Governo de transição na Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, ordenou hoje o encerramento imediato de postos de combustíveis em contentores, depois de um incêndio em Bafatá com 163 vítimas, uma das quais morreu.
Esta prática habitual na Guiné-Bissau passa a estar proibida em todo o país, acrescentou Vieira Té, à margem de uma visita ao Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, para onde foram transferidas 19 pessoas vítimas de queimaduras na sequência de uma explosão e incêndio, no sábado, num contentor de venda de gasóleo e gasolina em Bafatá, no leste do país.

Em declarações aos jornalistas transmitidas pelos órgãos de comunicação social local, Vieira Té lamentou que uma das vítimas transferidas para Bissau tenha falecido e adiantou que "haverá responsabilização" pelo acidente em Bafatá.

No incêndio, 163 pessoas sofreram queimaduras e atualmente 28 continuam em tratamento médico no hospital regional de Bafatá.

"Anunciamos hoje que vamos encerrar todos os contentores [de venda de combustíveis], dentro da cidade [de Bissau], e nas regiões (...) serão encerrados e removidos", declarou Ilídio Vieira Té, dirigindo-se ao ministro da Administração Territorial e Poder Local.

O primeiro-ministro afirmou que vai transmitir a mesma orientação ao ministro do Interior, general Mamasaliu Embaló.

Ilídio Vieira Té deve deslocar-se na terça-feira a Bafatá para visitar os sinistrados em tratamento no hospital local.

O ministro da Administração Territorial e Poder Local, Carlos Nelson Sano, que se deslocou a Bafatá no domingo, na companhia do ministro do Interior, observou que o incêndio, que se seguiu à explosão, terá sido potenciado com a intervenção dos populares que, por desconhecimento, tentaram apagar o fogo com água e areia.

"Isso fez aumentar as chamas", afirmou Nelson Sano.

Lusa

PM timorense pede desculpa ao Governo de transição da Guiné-Bissau

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, pediu hoje desculpa ao Governo de transição guineense, por dizer, na passada quarta-feira, que a Guiné-Bissau é um Estado falhado.

"Eu peço desculpa ao Governo de transição da Guiné-Bissau. Também ouvi dizer que sou um `coitado`. Aqui digo sempre que o herói da luta da resistência é o novo povo. Não há outro herói. Eu não sou herói. Não me defendo. Inclino-me profundamente, mas com o Presidente da República [José Ramos-Horta] já decidimos não enviar a missão", afirmou Xanana Gusmão aos jornalistas, após ter participado num workshop nacional de validação da língua gestual em Timor-Leste.

"Fomos nós que cancelámos, porque eles disseram: `para quê vem Timor? Vocês não têm valor nenhum e ainda vêm ajudar-nos novamente`", afirmou o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro de Timor-Leste tinha afirmado na quarta-feira que o golpe de Estado de novembro, na Guiné-Bissau, demonstra que o país é um Estado falhado e salientou que é preciso ajudar no desenvolvimento da democracia e direitos humanos.

"Fomos ajudar a montar todo o sistema, nomeadamente a CNE [Comissão Nacional de Eleições] (....) , para realizarem as primeiras eleições democráticas na Guiné-Bissau. Mas depois disto, voltar agora com um golpe militar ou golpe de Estado, já não falamos de Estado frágil, falamos de Estado falhado", salientou Xanana Gusmão.

Timor-Leste assumiu em dezembro a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que foi retirada à Guiné-Bissau após o golpe de Estado no país africano, em 26 de novembro, que depôs o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló, e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.

Na sequência do golpe de Estado de 2012, Timor-Leste prestou durante vários anos apoio à Guiné-Bissau na organização de eleições.

O Governo guineense de transição repudiou, também na quarta-feira, as declarações de Xanana Gusmão.

Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros guineense considerou que "as declarações revelam falta de dignidade e de postura política e moral" de Gusmão "para avaliar a realidade" institucional do país.

"Xanana Gusmão, tal como José Ramos-Horta, possui um historial de controvérsias públicas que fragilizam a autoridade com que se pronunciam sobre a governação de outros Estados", enfatiza-se na nota.

Na sequência daquela nota, Timor-Leste cancelou a missão de bons ofícios da CPLP a Bissau, que deveria chegar ao país esta semana, mas o Governo de transição guineense afirmou que foi sua a iniciativa de a cancelar por não reconhecer legitimidade à presidência timorense da organização de países de língua portuguesa.

Lusa

Incêndio em Bafatá é classificado como “crime evitável”; ex-ministra da Saúde exige justiça

Um grave incêndio ocorrido no domingo na cidade de Bafatá, na Guiné-Bissau, que deixou mais de 150 pessoas feridas, está a provocar fortes críticas e apelos por responsabilização dos responsáveis. O fogo, que deflagrou num posto de venda de combustível onde estavam armazenados milhares de litros de gasolina e gasóleo provocou ferimentos de segundo e terceiro grau em dezenas de cidadãos, muitos dos quais continuam internados em unidades hospitalares de Bafatá e na capital, Bissau.

Em declarações públicas divulgadas nas redes sociais, a antiga ministra da Saúde Pública e médica clínica geral, Magda Nely Robalo, qualificou o sinistro como um “crime evitável” e criticou duramente as falhas na prevenção e fiscalização que, na sua opinião, estiveram na origem da tragédia.

Robalo disse que a instalação do posto de combustível e a ausência de medidas eficazes de controlo representam “um profundo desrespeito pelas leis e regulamentos em vigor” e uma clara negligência face à segurança dos cidadãos.

A ex-ministra apelou às autoridades para que os proprietários do estabelecimento e os responsáveis pela sua autorização sejam levados à justiça, defendendo que a responsabilização criminal e civil dos envolvidos é imprescindível para evitar que tragédias semelhantes se repitam. “A vida e os direitos de mais de 150 cidadãos foram negligenciados e postos em risco”, afirmou Robalo, destacando que um país que respeita o Estado de direito não pode tolerar tais omissões.

O incêndio em Bafatá, que aconteceu no âmbito das celebrações locais, expôs ainda fragilidades no sistema de resposta a emergências no país, levantando questões sobre a capacidade das autoridades em garantir a segurança pública e fiscalização de infraestruturas potencialmente perigosas. 

As autoridades governamentais deslocaram-se ao local para acompanhar a situação e o atendimento às vítimas, enquanto cresce o debate sobre a implementação de medidas de prevenção mais rigorosas.

O Democrata

«AVISO AO PÚBLICO» A Polícia de Ordem Pública (POP) torna público que, por motivo da realização dos desfiles nacionais do Carnaval 2026, haverá interdição temporária da circulação rodoviária em algumas artérias da cidade.


O desfile decorrerá nas Avenidas dos Combatentes da Liberdade da Pátria, no troço compreendido entre a Assembleia Nacional Popular e a Praça dos Heróis Nacionais, bem como na Avenida Amílcar Cabral.

Nesse sentido, informa-se que a circulação de viaturas estará interdita a partir do dia 16 de fevereiro até ao dia 17 de fevereiro, no período compreendido entre as 15h00 e as 22h00, com o objetivo de garantir a segurança dos cidadãos e assegurar o normal desenrolar das festividades carnavalescas.

A Polícia de Ordem Pública lamenta os eventuais transtornos que esta medida possa causar e apela à compreensão e colaboração de todos os automobilistas, recomendando a utilização de vias alternativas e o cumprimento rigoroso das orientações das autoridades no local.

Pela segurança de todos, contamos com a sua colaboração.
Polícia de Ordem Pública (POP).

#popumaforçadesegurançamaispróximadesi


Cadi Seidi: “Sistema de saúde guineense é um dos mais caóticos do mundo”

16/02/2026

Cadi Seidi, ex-ministra da Saúde Pública guineense, diz que o sistema sanitário guineense é um dos mais caóticos do mundo.

Cadi Seidi falava, nesta segunda-feira (16.02), no Café Jornalístico, para tratar das “Carências e potencialidades dos setores da Saúde e Educação”, uma iniciativa da SINJOTECS em parceria com GTO-Bissau e CTO/Fórum da Paz.

Seidi lembrou que a taxa de desnutrição na Guiné-Bissau é de 20%,sublinhando que, para melhorar o sistema sanitário, “não depende só do Ministério da Saúde, mas é um problema estruturante”.

A antiga ministra afirmou que o problema não pode ser resolvido num dia nem num mês, e que somente com estabilidade política o setor poderá progredir e “mitigar alguns problemas”.

“Quando se quer um bom sistema de saúde, não deve haver clientelismo”, defendeu Seidi.

De acordo com a técnica de saúde, sem uma política de retenção dos quadros o sistema de saúde guineense nunca encontrará o rumo almejado.

Por CNEWS

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Chefes de Estado deixaram, no encerramento da cimeira da União Africana (UA), a mensagem de "tolerância zero" para mudanças inconstitucionais de governo no continente e sublinharam a necessidade de pôr fim aos conflitos.


Chefes de Estado e de Governo de cerca de 40 países participaram na cimeira da UA em Adis Abeba

Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana (UA), destacou, na sessão de encerramento da cimeira, que estas foram posições "claramente assumidas", na Assembleia da UA, órgão supremo, composto pelos chefes de Estado e de Governo dos países membros, que se reúne anualmente em cimeira para definir políticas, prioridades e estratégias continentais.

Umaro Sissoco Embaló "Said Raïs" participa na Cimeira da União Africana

Ao longo de dois dias de trabalhos, a situação na Guiné-Bissau, suspensa da UA após golpe de estado militar de novembro de 2025 foi várias vezes referidos, com apelos ao regresso da ordem institucional.

Trabalhar para a paz e segurança no continente, "silenciar as armas" foi também sublinhado na conferência de imprensa de encerramento do evento pelo Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, que nesta cimeira assumiu a presidência rotativa, sucedendo a Angola, prometendo ter como foco em paz, estabilidade e desenvolvimento industrial.

Évariste Ndayishimiye referiu-se em particular ao conflito na República Democrática do Congo (RDC) e ao terrorismo na região do Sahel.

"Há um acordo para cessar (na RDC) que está assinado, foi assinado pelas partes, então é preciso cumpri-lo", afirmou, alertando que pô-lo em ação implica também que as forças estrangeiras regressem aos seus países, numa referência ao Ruanda, que apoia os combatentes do movimento M23 no conflito contra as forças armadas do país, e "que nenhuma das partes retome os combates".

Acesso a água e Sahel na agenda

Sobre o Sahel, o novo Presidente da União Africana qualificou a situação como "complexa" ainda mais porque o terrorismo na região se propaga a outros países, salientou, e por isso precisa da atenção e ajuda da organização e dos seus países-membros.
João Lourenço defendeu investimentos significativos que tragam resultados no setor da água e saneamento Foto: Adrian Dennis/AFP/AP/picture alliance

Durante esta cimeira, a UA lançou também o tema que escolheu como central para 2026: "Assegurar a disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objetivos da Agenda 2063".

A África enfrenta uma profunda crise de água e saneamento, com mais de 400 milhões de pessoas sem acesso a água potável básica e mais de 700 milhões sem saneamento gerido de forma segura, contextualiza a UA.

A este propósito, no decorrer dos trabalhos desta 39.ª cimeira, a presidência cessante da União Africana, exercida pelo Presidente de Angola, João Lourenço, defendeu investimentos significativos que tragam resultados no setor da água e saneamento, para garantir aos africanos o "acesso universal e equitativo" a estes serviços.

Antes, no balanço do mandato de um ano, João Lourenço disse que procurou reforçar o papel da UA como plataforma de concertação política e de ação concreta, promovendo maior articulação entre os Estados-membros e as comunidades económicas regionais, o fortalecimento da abordagem preventiva face aos impactos das alterações climáticas e a mobilização de parcerias estratégicas para o financiamento de infraestruturas resilientes.

Chefes de Estado e de Governo de cerca de 40 países participaram na cimeira da UA, realizada sábado e hoje na capital etíope, para abordar temas como a paz e segurança, a integração económica ou a crise climática, sob a sombra dos múltiplos conflitos que afetam países como o Sudão ou a República Democrática do Congo (RDC).

Além dos líderes africanos, estiveram presentes na sessão de abertura o secretário-geral da ONU, António Guterres, e os primeiros-ministros de Itália, Giorgia Meloni, que falou como convidada de honra, e da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mohammad Mustafa. 

«Oio»Cerca de 154 Líderes Comunitários reúnem-se para Resgatar Tradições e Fortalecer a Cultura

Cerca de 154 líderes comunitários das comunidades locais da região de Oio participaram num encontro considerado histórico, com foco na preservação da identidade cultural e no resgate das tradições ancestrais.
As lideranças provenientes de diversas aldeias do setor de Mansabá marcaram presença no evento, promovido pela Célula de Anciãos Nacionais das Culturas Unidas por Raízes Africanas e da Nação Guineense, no âmbito da realização do primeiro encontro de divulgação do projeto junto às comunidades locais.

O principal objetivo do encontro é resgatar conhecimentos, rituais e práticas ancestrais que vêm se perdendo ao longo do tempo, reforçando o papel das tradições na construção da identidade nacional.

Aladji Sanhá, Secretário-Geral do projeto, explicou que a iniciativa visa valorizar as potencialidades culturais de cada grupo étnico, promovendo a união e o fortalecimento das raízes africanas.

Durante a sua intervenção, o responsável apelou às comunidades para evitarem a interrupção da educação dos filhos devido à prática de fanados, defendendo o equilíbrio entre tradição e acesso à educação formal.

Os participantes ouvidos pela nossa reportagem manifestaram satisfação com a realização do encontro e apelaram ao respeito e à valorização das culturas locais.

Além do resgate cultural, o evento reafirmou o papel das lideranças comunitárias na defesa do território, dos costumes e do modo de vida tradicional.

Betegb

Liceu Sub-Regional de Bubaque em reabilitação



A ASAD arrancou com a primeira fase das obras de melhoria das infraestruturas escolares em Bubaque, dando início à reabilitação do Liceu Sub-Regional de Bubaque e à construção de um novo edifício destinado à formação técnico-profissional.

A intervenção enquadra-se no Projeto Tanka Mas!, uma iniciativa que visa reforçar a qualidade do ensino e ampliar as oportunidades de qualificação para os jovens da ilha. O objetivo é criar melhores condições de aprendizagem, promovendo um ensino mais inclusivo, moderno e alinhado com as exigências do mercado de trabalho.
Além do Liceu Sub-Regional, o projeto contempla a reabilitação de seis outras escolas públicas, incluindo a instalação de sistemas de energia solar e de abastecimento de água através de furos, assegurando melhores condições de funcionamento e maior bem-estar para alunos e professores.
As obras representam igualmente uma oportunidade prática para antigos formandos dos cursos de Construção Civil, Carpintaria de Cofragem e Montagem de Ferro, que iniciam agora os seus estágios profissionais. Estes jovens foram capacitados no âmbito do Projeto Tanka Mas!, implementado pela ASAD em parceria com o Centro de Formação Industrial (CENFI).


A iniciativa conta ainda com o apoio da CEDEAO e do banco alemão de desenvolvimento KfW, reforçando o compromisso conjunto com o progresso educativo e o desenvolvimento sustentável na Guiné-Bissau.
Com este investimento, reafirma-se a aposta na educação como motor de transformação social e económica, abrindo novos horizontes para a juventude de Bubaque.

ASAD

PR DE CABO VERDE ACREDITA NO DIÁLOGO PARA SOLUCIONAR CRISES COMO A DA GUINÉ-BISSAU


O Presidente de Cabo Verde acredita que diplomacia e trabalho de mediação ajudam a encontrar o melhor caminho para solucionar crises como a da Guiné-Bissau, incluindo no diferendo com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

José Maria Neves fez esta afirmação em declarações aos jornalistas à margem dos trabalhos da 39.ª cimeira da União Africana, hoje, em Adis Abeba, e falando de um encontro bilateral com o seu homólogo angolano, João Lourenço, durante o qual abordou vários temas da CPLP, incluindo a situação da Guiné-Bissau, após o golpe de Estado de novembro de 2025.

“Há todo um trabalho que de mediação que está a ser feito pela CEDEAO”, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, e em que a CPLP quer participar, disse o Presidente de Cabo Verde, manifestando-se convicto de que será possível “encetar o melhor caminho” para a Guiné-Bissau.

Uma missão de alto nível da CPLP, cuja presidência foi retirada à Guiné-Bissau após o golpe de Estado militar, tendo passado para Timor-Leste, deveria ir a Bissau na próxima semana, mas Dili anunciou que a tinha cancelado.

Contudo, o governo de transição da Guiné-Bissau anunciou depois ter sido sua a iniciativa de cancelamento da missão da CPLP, por não reconhecer legitimidade à presidência de Timor-Leste na comunidade de países lusófonos.

Questionado se há um fosso irreparável entre a Guiné-Bissau e a CPLP, José Maria Neves defendeu que “não há nada irreparável” e que com diálogo tudo é possível, mas também deixou a mensagem de que “é importante que a diplomacia não se faça na praça pública”.

No decorrer da cimeira, o Presidente de Angola referiu-se às mudanças inconstitucionalidade de governo, referindo Madagáscar e Guiné-Bissau” num discurso em que afirmou que falar da necessidade “do restabelecimento da ordem constitucional após a tomada do poder por meios inconstitucionais” não quer dizer “que ela fica restabelecida desde que os autores do golpe de Estado realizem eleições e se façam eleger”.

O Presidente de Cabo Verde, instado a comentar e dizer se concorda com a posição de João Lourenço, respondeu apenas que “o Presidente de Angola disse tudo”.

Falar de soluções negociadas para os conflitos, armados e outros, em África foi também tema num encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, adiantou João Maria Neves.

Lusa

Chefe da diplomacia europeia volta a rejeitar ideia de um exército europeu

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. Conferência para a Segurança de Munique. 15 de Fevereiro de 2026. AFP - THOMAS KIENZLE

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, voltou a rejeitar a ideia da criação de um Exército europeu, que classificou como “pensamento ilusório”. Kaja Kallas defendeu, antes, o reforço das Forças Armadas dos países europeus.

A alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, disse, este domingo, na Conferência de Segurança de Munique, que a criação de um Exército europeu "é, de certo modo, neste momento, uma forma de pensamento ilusório" e apelou para que “não se perca tempo a falar de coisas novas” quando “o que é realmente urgente é reforçar os exércitos" dos diferentes países-membros da UE. Kaja Kallas defendeu que os Estados-membros devem reforçar-se militarmente para também fortalecer o pilar europeu na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

A chefe da diplomacia europeia já tinha manifestado anteriormente a sua rejeição à ideia de criar um Exército europeu, proposta defendida por países como Espanha.

As declarações foram feitas no último dia da Conferência de Segurança de Munique, onde estão mais de 60 líderes mundiais e cerca de 100 ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa.

No encontro, Kaja Kallas também afirmou que “ao contrário do que dizem alguns, a Europa não está ameaçada de um apagamento civilizacional”, uma alusão a recentes declarações de Donald Trump. Por outro lado, ela saudou a mudança de tom do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que, este sábado, defendeu “uma aliança revigorada” com a Europa, depois de meses de relações transatlânticas tensas devido, nomeadamente, às ameaças expansionistas de Donald Trump sobre a Gronelândia, um território autónomo que pertence à Dinamarca.

Por: RFI

Presidente brasileiro assina lei que distribuirá gás gratuito a 15 milhões de famílias


O presidente brasileiro, Lula da Silva, aprovou a criação de um programa - batizado de "Gás do Povo" - que garante o abastecimento gratuito de botijas de 13 kg a famílias vulneráveis, medida deverá beneficiar 50 milhões de pessoas.

O plano tem como objetivo combater a pobreza energética que afeta as famílias com menos recursos, atendendo especialmente às dificuldades de acesso ao gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como 'gás de cozinha?.

O programa é destinado às pessoas inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), e os requerentes têm de comprovar um "rendimento por pessoa até metade do salário mínimo", informou a Presidência brasileira num comunicado divulgado pela Agência Brasil.

A execução da iniciativa envolverá os ministérios de Minas e Energia e de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, bem como a entidade financeira pública Caixa Económica Federal.

A presidência brasileira anunciou a acreditação de "10.000 pontos de venda em menos de dois meses" e que "um em cada seis revendedores de GLP do país ficou vinculado à iniciativa".

O Executivo brasileiro, que espera que o projeto - Lei n.º 15.348 - esteja totalmente operacional em março, estima que o programa alcance aproximadamente 15 milhões de famílias que cumpram os requisitos estabelecidos.

Por exemplo, qualquer família que pretenda aceder ao programa deverá ser previamente beneficiária do `Bolsa Família` com, pelo menos, dois membros e ter mantido o cadastro atualizado no CadÚnico nos últimos 24 meses.

As famílias requerentes vão poder verificar se cumprem os requisitos exigidos através de uma aplicação - 'Meu Social - Gás do Povo' -, na qual também terão acesso a dados relacionados com vales de recarga ou a localização de estabelecimentos autorizados, números de telefone e endereços.

Para quem não tem acesso à internet ou telemóvel, o programa permite a utilização do vale através do cartão `Bolsa Família` com chip, ou simplesmente através do fornecimento do número de identificação fiscal do responsável pela família no ponto de venda credenciado.

Lusa

Barack Obama compara operações do ICE a comportamentos de “ditaduras”

Barack Obama, antigo Presidente dos Estados Unidos

O antigo Presidente norte-americano Barack Obama comparou, este sábado, as operações da polícia federal de imigração dos Estados Unidos (ICE) a comportamentos “vistos no passado em países autoritários e ditaduras" e louvou a resistência através de manifestações pacíficas.

Barack Obama alertou que “o comportamento desviante de agentes do governo federal é profundamente preocupante e perigoso" e avisou que as operações do ICE se comparam a acções "vistas no passado em países autoritários e ditaduras". O alerta foi deixado num podcast sobre política, difundido no sábado à noite, semanas depois de o antigo Presidente democrata (2009-2017) ter criticado as acções do ICE, apelando a uma "reacção" dos cidadãos em defesa de valores fundamentais que Obama diz estarem a ser "atacados".

Barack Obama continua profundamente preocupado com as rusgas das últimas semanas em que um grande número de imigrantes e de cidadãos americanos foram detidos pelos agentes do Serviço de Imigração, em Minneapolis, a maior cidade do estado de Minnesota.

Obama saudou a resistência contra as operações da polícia de imigração e considerou que “há esperança” enquanto houver cidadãos a resistir com câmaras e com manifestações pacíficas. Os protestos contra o ICE intensificaram-se quando dois cidadãos norte-americanos, Renee Good e Alex Pretti, foram mortos a tiro por agentes federais por se terem oposto às acções da polícia da imigração. Entretanto, na quinta-feira, foi anunciado o fim das operações do ICE no Minnesota.

Ainda no podcast, Barack Obama lamentou que se tenha perdido “uma certa decência e respeito” quando questionado sobre a publicação, na conta de Donald Trump da sua rede Truth Social, de um vídeo racista, em que Obama e a sua esposa estavam representados com corpos de macacos. O vídeo acabou por ser retirado da conta do Presidente, depois de uma vaga de indignação geral.

Por: RFI

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Incêndio em Bafatá provoca 163 feridos, vários em estado grave




Um incêndio de grandes proporções ocorrido a 13 de fevereiro, em Bafatá, provocou 163 vítimas com queimaduras de diferentes graus.

Segundo informações preliminares, o fogo terá tido origem num curto-circuito num contentor improvisado para venda de combustível, onde estavam armazenados milhares de litros de gasóleo e gasolina, provocando uma explosão que atingiu dezenas de pessoas no local.

Vários feridos encontram-se em estado grave e alguns já foram evacuados para o Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, onde recebem tratamento especializado.

Os Ministros da Administração Territorial e Poder Local, Carlos Nelson Sanó e do Interior, Mamasaliu Embaló visitaram está tarde as vítimas internadas. A direção do hospital garante que estão disponíveis medicamentos para assistência aos pacientes.

Bissau, 14 de fevereiro de 2026
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