segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Referendo 30 de Agosto/Comissão Nacional de Eleição recebe 1.056.161 boletins de voto produzidos na INACEP


Bissau, 24 Ago 26 (ANG) - A Comissão Nacional de Eleições (CNE) recebeu, no fim-de-semana, da INACEP, 1.056.161 (um milhão e cinquenta e seis mil e cento e sessenta e um) que srão utilizados no Refendo sobre a nova Constituição prevista para o próximo dia 30.

Na ato de recepção, a Presidente de CNE, Carmem Isaura Lobo disse que também receberam 10 mil e 686 atas constitutivas, 10 mil e 686 atas de apuramento.

“Recebemos também 28 mil e 496 atas síntese, 7.124 lista própria dos votantes, folha de descarga dos votos obtidos sim 21.372, folha de descarga dos votos obtidos, igualmente 21.372, folha de votantes por sexo 7.124, minutas de protesto e reclamação 21. 372”, revelou aquela responsável.

A Presidente de CNE disse que receberam os materiais eleitorais com sentido de responsabilidade, e que aquele ato representa um compromisso com a transparência, responsabilidade e rigor no processo de votação do Referendo previsto para 30 de Agosto corrente.

Por outro lado, Carmem Isaura Lobo agradeceu a equipa técnica de Imprensa Nacional (INACEP) pelo esforço no trabalho feito, desejando-lhe sucesso sempre.

O Diretor-geral da INACEP Lesmes Mutna Monteiro, disse tratar-se da 2ª vez que a instituição produz materiais eleitorais, e diz que não é um trabalho fácil mas que com esforço e dedicação dos técnicos conseguiram alcançar o objectivo.

Disse ainda que a INACEP está à altura de produzir documentos, pelo que documentos do Estado devem sempre ser produzidos naquela instituição gráfica do país.

“Quando digo que todos os documentos do Estado devem ser produzidos na INACEP, não quero referir apenas a questão monetária, mas sim, para garantir a própria segurança do Estado”, esclareceu Mutna Monteiro.

ANG/AALS/ÂC//SG

Encera-se o Curso de Socorrismo ao pessoal da BAF com apelo para multiplicação do conhecimento e fortalecimento da saúde militar.







A Brigada de Ação Fiscal (BAF) deu por concluída no dia 21 de agosto de 2026 a sua primeira formação na matéria do socorrismo ministrada pelo Núcleo de Formação em Saúde Militar. A cerimônia de encerramento presidida pelo Adjunto Comandante Tenente-Coronel Julce Edilfonso Mendonça, marcou o fim de cinco dias intensivos de instrução realizadas nas instalações da instituição.
Parte 1 (Criolo)
FA/IM 24.08.2026


Marinha Nacional participou no exercício conjunto da Zona G.

Uma equipa de abordagem da Marinha Nacional participou no exercício conjunto da Zona G, integrado nas atividades operacionais destinadas a reforçar a cooperação e a coordenação entre as forças navais dos países membros da Zona G. As atividades decorreram nas águas territoriais guineense de 12 a 15 do mês de agosto do ano corrente.

Durante o exercício, a equipa esteve envolvida nas ações de abordagem e inspeção de embarcações, simulando procedimentos de controlo marítimo, identificação de navios, verificação da documentação, comunicação operacional e aplicação das medidas de segurança durante uma operação de abordagem.

A participação da equipa permitiu igualmente testar o nível de preparação e coordenação dos militares, bem como a capacidade de resposta perante diferentes situações que podem ocorrer no ambiente marítimo, nomeadamente a fiscalização das atividades pesqueiras, combate às atividades ilícitas no mar, controlo de embarcações suspeitas e cooperação entre as unidades navais participantes.

A presença da equipa de abordagem da Marinha Nacional neste exercício constituiu uma importante oportunidade para reforçar a interoperabilidade com as forças navais da Zona G, promover a troca de experiências e melhorar os procedimentos operacionais conjuntos, contribuindo para o fortalecimento da segurança e da vigilância marítima na região.

Texto e foto: 1º Tenente Aldair Coelho, oficial de Relações Exteriores e Chefe de Protocolo d´Armada
FA/IM 15.08.2026

Convite | Lançamento da obra «Da Democracia em África»

Nimba Edições



Exmo.(a) Senhor(a),

O autor, Eng.º Domingos Simões Pereira, e a Nimba Edições têm a honra de convidar V. Ex.ª para o lançamento da obra «Da Democracia em África», um momento de particular significado dedicado à reflexão, ao pensamento e ao debate sobre a democracia em África, tendo como ponto de partida a experiência da Guiné-Bissau.

A cerimónia terá lugar:

📅 Sábado, 29 de agosto de 2026.
🕒 15H00
📍 Anfiteatro 1 da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Será para o autor e para a Nimba Edições uma enorme honra poder contar com a presença de V. Ex.ª e partilhar este momento de celebração do livro, das ideias e do conhecimento.

A obra encontra-se igualmente disponível para aquisição na livraria Nimba Books - www.nimbabooks.com.

Na expectativa de podermos contar com a sua distinta presença, apresentamos os nossos melhores cumprimentos.

Nimba Edições
A sua editora de referência.

🌐 www.nimbabooks.com


Guiné-Bissau: Governo determinado na redução do preço do pescado

Porto de Pesca de Bandim, subúrbios de Bissau. © Mussá Baldé

No passado mês de Abril, o governo de transição na Guiné-Bissau e os operadores rubricaram um acordo para baixar o preço do pescado, mas a implementação nos mercados está a gerar debates intensos entre fiscais, pescadores e as "bideiras" (revendedoras).

Para aliviar o custo de vida da população, o Executivo liderado pelo Primeiro-Ministro Ilídio Vieira Té implementou um pacote de medidas extraordinárias.

O objectivo é fazer com que o peixe chegue de forma acessível às mesas de famílias guineenses em Bafatá, Biombo, Gabu e em todo o território nacional.

O acordo para a baixa do preço existe, mas o Director-Geral de Portos de Pesca da Guiné-Bissau, Fidelis Biombo Cá, diz que tem havido alguma resistência para a sua implementação.

O responsável explicou à RFI que desde Dezembro de 2025 que o Governo de transição tem tentado alcançar um entendimento com os actores da fileira, tendo reduzido taxas como licença de navegação, licença de pesca artesanal, custo do combustível de pesca e ainda o preço do gelo de conservação do pescado.

Houve uma redução drástica no que concerne ao preço das licenças das pescas, assim como na licença de circulação ou de navegação através do Instituto Marítimo.

Houve a coparticipação ou subvencionamento no que concerne à aquisição do combustível junto do Petromar (empresa privada que importa e distribui combustíveis na Guiné-Bissau). Nós negociámos directamente, como é óbvio, as fábricas de gelo que aqui temos, são privadas.

O governo negociou directamente com os proprietários dessas fábricas e esses, por sua vez, reduziram o preço do gelo, que era de 2.500 francos CFA, para 1.250 francos CFA. E para além dessas reduções, foi dado um período moratória, ou seja, um período a partir do mês de janeiro até abril, de 4 meses, os pescadores pescaram sem pagar nem sequer um franco CFA.

Depois de serem atendidas essas preocupações, o governo chamou de novo esses actores intervenientes no sector das pescas, nesse caso, a Associação dos Pescadores e a Associação das Mulheres Bideras e Transformadoras do Pescado, e em conjunto, solicitaram-nos no sentido de apresentarem uma proposta formal do precário dos pescados.

E eles, sendo pessoas de bem, fizeram a questão de apresentar uma proposta e nós discutimos isso. E no dia 9 de abril, foi assinado um memorando de entendimento entre a Associação dos Pescadores e a Associação das Mulheres Bideras e representado pelo governo, representado nessa cerimónia através da Ministra das Pescas e Economia Marítima.

Bom, depois de serem assinados esses acordos, como é óbvio, o acordo é para cumprir, tendo em conta aquilo que dissemos, "pacta sunt servanda". Quando é acordo, é para cumprir. A partir daí, foi criado uma comissão conjunta de fiscalização da exequibilidade do preço estipulado não pelo governo, ou estipulado pelo governo, mas proposto pela Associação dos Pescadores e a Associação das Mulheres.

E nessa comissão foi dado o mandato de seguir o precário, e levantar as questões que posteriormente possam surgir como obstáculo à implementação desse precário. A partir daí, ao longo desse período, nós internamente criamos uma comissão, foi instituída uma comissão de fiscalização do preço. E essa comissão, na sua primeira actividade, fez uma apreensão de 350 quilos de peixe, aqui no mercado, porque nessa primeira fase é só para os mercados do centro da cidade. A segunda fase será alargada para todo o território nacional.

Bom, depois marcámos um encontro, convocámos um encontro com as associações dos pescadores e das mulheres, para podermos fazer um balanço em conjunto, da qual foi levantado as questões de que, se calhar tem a ver com questões do desconhecimento da existência do memorando.

Bom, nós aqui alegámos que, na verdade, a pessoa não pode ser, ou seja, a pessoa não pode andar na impunidade, alegando que desconhece a existência de uma norma, porque normalmente quem deve procurar saber se existe ou não uma norma é o interessado, nesse caso, as bideras e os pescadores.

Ora, estando no incumprimento, nós, como autoridade, temos que actuar como autoridade. Porque, na verdade, nós não podemos fazer com que o Estado fique de joelhos.

Porto de Pesca de Bandim, subúrbios de Bissau. © Mussá Baldé

De acordo com o Director-Geral de Portos de Pesca da Guiné-Bissau, a redução nos preços finais ao consumidor, de certas espécies do pescado, ronda os 30% a 40%.

O Estado da Guiné-Bissau actualmente perde mensalmente quase 4 biliões de francos CFA. E esses 4 biliões devem-se reflectir diretamente na vida quotidiana do seu povo. Agora, como é que pode reflectir? Perdendo isso com essas isenções, isso quer dizer que, com essas isenções, com essas percas, esse valor de 4 biliões deve refletir no preço do pescado, para que, efectivamente, um cidadão de Tchokmon, um cidadão de Bafatá, um cidadão de Biombo, um cidadão de Gabu esteja em condições de poder comprar, pelo menos, 1 quilo de peixe para o seu agregado familiar. Isto é o propósito dessa isenção do parte do governo. Ora, se essas isenções não estão a refletir na vida quotidiana do povo da Guiné-Bissau, como dono do peixe, com certeza que o governo deverá tomar as suas medidas.

Desde o início das operações de fiscalização dos mercados de revenda do peixe em Bissau, as autoridades já apreenderam mais de 1500 quilos de peixe fresco.

O Director Geral dos Portos de Pesca Artesanal diz que a fiscalização vai continuar em Bissau e será brevemente alargada para os mercados do interior do país.

Foi dada uma ordem expressa de que o Estado não pode estar a perder quase 4 biliões mensais sem que tenha reflexo na vida quotidiana do seu povo. E se assim for, temos a ordem de que quem estiver no incumprimento dos preços estipulados na tabela pelo governo, essa pessoa deve ser expulsa do mercado e apreendido o seu pescado.

Foi o que aconteceu, e foram destacadas as forças de defesa e segurança para todos os mercados do centro da cidade. Logo, na primeira apreensão, como tinha dito, houve apreensão de 350 quilos, isso quando? Ah, porque a operação começou logo no primeiro dia deste mês, dia 1 deste mês. E no segundo dia, houve apreensão de 794 quilos de peixe (peixe fresco, estou a dizer peixe fresco). Terceira apreensão, 82 quilos; quarta apreensão, 151 quilos e na quinta apreende, 22 quilos. E de lá para cá, não houve mais apreensão. Isso quer dizer que as pessoas estão a cumprir paulatinamente, de acordo com os preços estipulados pelo governo.

A Associação dos Pescadores Artesanais reconhece o esforço inédito do governo. Adulai Leny, presidente da associação, diz que é a primeira vez que um governo da Guiné-Bissau toma medidas concretas para baixar o preço do pescado ao consumidor.

Apesar dos desafios, todos os pescadores a nível nacional reconhecem este governo por ser o primeiro a tomar medidas concretas para reduzir o preço do pescado no país. Nós também temos de colaborar. O governo perguntou-nos até quanto podíamos reduzir no preço do pescado, uma vez que somos nós que trabalhamos para trazê-lo ao mercado nacional.

Em certas espécies, das mais consumidas no país, reduzimos o preço até 42%, permitindo que a bidera (revendedora) acrescente a sua margem para alcançar um lucro de 500 francos CFA. Foi com base nestes termos que assinámos o memorando de entendimento no dia 9 de abril para ser cumprido.

Por ser um processo novo no sector da Guiné-Bissau, e podemos dizer que até a nível mundial, é um exercício difícil e é natural que haja resistência por parte daqueles que não querem que a medida vingue. Costumamos reunir os nossos associados antes de qualquer decisão para passar a mensagem correta, e já realizamos várias reuniões para debater esta resistência e informar os pescadores sobre o que está a acontecer no sector.

Foi decretada a redução do preço do pescado, sim, mas a grande dor de cabeça para os pescadores artesanais continua a ser o uso das redes de monofilamento, conhecidas localmente como "tchaas".

Embora a sua utilização seja proibida e alvo de multas, os pescadores questionam o porquê de o material continuar a entrar livremente no país pelas fronteiras e a ser comercializado com a autorização da Alfândega.

As multas pelo uso dessa rede também acabam por impactar o preço do peixe ao consumidor, diz Adulai Leny:

Há dez anos que enfrentamos este estrangulamento. O governo exige que pesquemos com outras redes, mas não existem alternativas disponíveis no mercado guineense. A própria rede de monofilamento que proíbem entra no país pela fronteira, passa pela Alfândega e a sua venda é autorizada no mercado. No entanto, quando o pescador utiliza essa mesma rede, a fiscalização apreende-a.

O primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, ao ser informado sobre a situação, disse que isso não podia continuar, visto que é o próprio Estado que autoriza a entrada dessa rede no mercado.
E nos mercados de peixe, como está a vivência diária das mulheres bideiras, o elo final que faz a ponte entre o mar e a panela do cidadão?

Fenda Turé, vendedora de pescado no movimentado Porto de Pesca de Bandim, nos subúrbios de Bissau, disse à RFI que a baixa de preços do pescado decretada pelo governo não abrange todos os segmentos da pesca artesanal. Fenda Turé reconhece, contudo, que o preço do peixe é alto nos mercados do país.

Sabemos que o preço do peixe é elevado, mas o peixe é o produto mais consumido aqui na Guiné-Bissau. Contudo, o peixe mais consumido, que é o pescado com anzol, não foi contemplado nesta baixa de preços. O peixe capturado com rede é consumido, sim, mas deteriora-se rapidamente: se não for consumido dentro de 24 a 48 horas, estraga-se. O que a população mais consome é, de facto, o peixe de anzol. Além disso, esta facilidade de redução de preço acaba por favorecer apenas o pescador que possui canoa e rede própria.

Uma outra preocupação das bideiras prende-se com a confusão nas tabelas de preços. As bideiras têm uma tabela e a fiscalização tem outra tabela de preços. No entanto, Fenda Turé diz que a questão maior está na falta de troco na hora da venda do peixe. É que, na Guiné-Bissau, praticamente deixaram de circular no mercado algumas moedas de menor valor.

O que me causa confusão é ver o nosso peixe apreendido porque a fiscalização acha que estamos a infringir a lei. Exigem que vendamos o peixe ao consumidor por 2.500 francos CFA o quilo, mas, por não termos troco de 75 francos CFA, tiram-nos o peixe. O problema principal está nas tabelas: nós temos uma tabela e a fiscalização tem outra, e os valores não coincidem. Quando questionados, os fiscais dizem que estão a atuar com base numa nova tabela que saiu. Nova tabela como, se tudo foi acordado numa direção conjunta?

Noutro dia, chegaram aqui e apreenderam-me 600 quilos de peixe antes mesmo de eu iniciar a venda. Nem discuti com eles. Ainda tentei retirar três peixes para a alimentação da minha família, mas os fiscais não permitiram.

O memorando assinado a 9 de abril é uma medida apreciada por todos os envolvidos no sector, no entanto para que faça efeito, efetivamente no bolso do consumidor guineense, é preciso que haja maior sintonia entre o Ministerio das Pescas, associações de pescadores e as mulheres que trabalham na revenda do pescado, as bideras.

Por:Mussá Baldé
rfi.fr/pt/

Federação de Futebol da Guiné-Bissau reafirma apoio a Gianni Infantino



A Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) reafirmou a sua confiança na liderança de Gianni Infantino à frente da FIFA, destacando o apoio prestado ao país na construção e melhoria de infraestruturas desportivas desde que o dirigente assumiu a presidência do organismo que rege o futebol mundial.

A posição da federação guineense foi transmitida ao Jornal O Democrata pelo presidente da FFGB, Carlos Mendes Teixeira “Caíto”, no final do Congresso Ordinário da instituição, realizado no sábado, 22 de agosto de 2026, num espaço cultural da região de Biombo, nos arredores de Bissau.

“Mantenho a confiança em Infantino como presidente da FIFA porque sou coerente. Hoje, a Guiné-Bissau dispõe de dois estádios e três autocarros, vai iniciar as obras do centro técnico de treino em Nhacra e avançará também com a reabilitação do centro de estágio da Federação de Futebol, graças ao apoio de Infantino. Por isso, não podemos ser ingratos. Devemos ser coerentes e não nos deixar influenciar por situações menos claras”, afirmou.

O dirigente acrescentou que “a quem nos apoiou nos momentos difíceis nunca devemos virar as costas, por uma questão de princípio, carácter e honestidade”. “Por isso, o nosso apoio a Infantino é de 100%”, declarou, em resposta a uma pergunta de O Democrata sobre as críticas dirigidas ao presidente da FIFA após o Campeonato do Mundo de 2026.

Com esta posição, a FFGB junta-se às entidades que já manifestaram apoio ao dirigente suíço, entre as quais a Associação de Futebol Argentino (AFA), a Federação Mexicana de Futebol e a Confederação Africana de Futebol (CAF), que representa 54 associações nacionais.

Num contexto de crescente contestação à sua liderança, Gianni Infantino recebeu recentemente um importante voto de confiança das dez associações filiadas na Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), lideradas pela Argentina, bem como da Federação Mexicana de Futebol. A estes apoios soma-se o da CAF, da qual a FFGB é membro.

Apesar desse respaldo, federações europeias e algumas associações da América do Norte e da América Central têm discutido a criação de uma competição alternativa à FIFA, sinalizando um ambiente de crescente tensão e debate em torno da governação do futebol internacional.

No centro da polémica está a alegada intenção de vender a investidores privados uma parte dos direitos comerciais do Campeonato do Mundo, uma possibilidade que tem suscitado críticas em diferentes setores do futebol.

Gianni Infantino, de 56 anos, foi eleito o nono presidente da história da FIFA em 2016, após vencer três adversários nas eleições. O dirigente sucedeu ao suíço Joseph Blatter, que renunciou ao cargo em 2015 e posteriormente foi afastado das atividades ligadas ao futebol em consequência de investigações relacionadas com alegações de fraude e corrupção.

Por: Alison Cabral
Fonte: RTP e Sic Notícias
odemocratagb

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

«Feira do Livro do Porto 2026» O escritor guineense Edson Incopté vai estar numa sessão de autógrafos no domingo, às 17 horas do dia 23 de agosto, da sua obra literária “Adama”, um romance que retrata a realidade sociocultural e política da Guiné-Bissau, com especial incidência sobre os impactos do conflito armado de 7 de junho de 1998.

 




21 Ago -06 Set - Jardins do Palácio de Cristal

Os Jardins do Palácio de Cristal voltam a ser o ponto de encontro da Feira do Livro do Porto, entre 21 de agosto e 6 de setembro. Nesta 13.ª edição, a iniciativa reconfigura-se no espaço para acolher mais stands (144 no total), crescendo, acima de tudo, nas atividades programadas. Entre as mais de 200 iniciativas, destaca-se o ciclo de homenagem à poeta Inês Lourenço, que apresenta mais de uma dezena de momentos, integrando ainda uma exposição.

Conosaba do Porto

MNE agradece "apoio enorme" timorense à candidatura a lugar no Conselho de Segurança da ONU


O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) admitiu hoje estar "muito confiante" de que Portugal possa ser eleito para o Conselho de Segurança da ONU em junho próximo, indicando que recebeu um `feedback` "muito positivo" em Nova Iorque.

Em declarações à Lusa, à margem da Assembleia-Geral da ONU, Paulo Rangel frisou que, apesar do otimismo, o trabalho em prol da campanha portuguesa "não pode esmorecer", assumindo a possibilidade de viajar mais vezes a Nova Iorque até à data das eleições

"Eu estou muito confiante de que Portugal possa ser eleito. O `feedback` é muito positivo, mas há obviamente uma questão que eu acho que é essencial: Nós nunca podemos estar confiantes demais", disse.

"E, portanto, o trabalho de campanha, de apresentação da posição portuguesa, de estabelecimento de relações com todos aqueles que têm direito de voto a este propósito, não pode esmorecer. Pelo contrário, tem de se reforçar", acrescentou o ministro.

Portugal concorre ao Conselho de Segurança - um dos órgãos mais importantes das Nações Unidas, cujo mandato é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional e cujas decisões são vinculativas - sob o lema "Prevenção, Parceria, Proteção".

A eleição, para membro não permanente para o biénio 2027/2028, ainda não tem dia marcado, mas deverá acontecer em junho do próximo ano.

Portugal tem como adversários diretos a Alemanha e a Áustria, numa disputa pelos dois lugares de membros não permanentes atribuídos ao grupo da Europa Ocidental e Outros Estados.

A candidatura foi formalizada em janeiro de 2013 e as eleições para o referido mandato realizam-se durante a 80.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 2026, ano em que António Guterres termina o segundo mandato de cinco anos como secretário-geral da ONU.

Ao longo desta semana, o Presidente da República, o MNE e a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros mantiveram dezenas de reuniões bilaterais em Nova Iorque, à margem da Assembleia-Geral da ONU, no sentido de promover a campanha portuguesa e apresentar o respetivo programa, posições e visões.

"Esta Assembleia-Geral revestia-se de uma importância muito grande porque, evidentemente, era a última antes do processo eleitoral para o lugar não permanente no Conselho de Segurança, que terá lugar em junho de 2026. Portanto, esta era a última Assembleia-Geral", refletiu Rangel, num balanço da intensa agenda diplomática que manteve em Nova Iorque.

"Eventualmente ainda viremos às Nações Unidas mais do que uma vez, porque, obviamente, a votação é aqui que vai decorrer e, portanto, também há aqui contactos a fazer. É natural que até junho ainda tenha que vir às Nações Unidas mais do que uma vez, justamente no quadro dessa campanha", admitiu.

Portugal já foi membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU por três vezes: em 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012.

Contudo, Paulo Rangel defendeu que regressar a esse órgão da ONU, neste momento de mudança global da situação geopolítica, dará "uma projeção única" ao país e "tem muitas vantagens".

"Quanto mais estamos em contagem decrescente para a votação, mais temos de ter empenho e de ter como agenda prioritária nos nossos contactos a questão da eleição para o Conselho de Segurança. (...) Não se trata agora de uma candidatura para ter prestígio. Prestígio Portugal tem, não precisa de ser eleito para o Conselho de Segurança para o ter", observou.

"Trata-se de estar verdadeiramente no coração do sítio onde estas questões têm mais visibilidade, são discutidas, onde nós podemos influenciar, onde nós podemos de facto mudar alguma coisa e, ao mesmo tempo também, maximizar a posição portuguesa a todos os títulos", insistiu o governante, reforçando que não se trata de "uma eleição decorativa", nem de "uma medalha para Portugal".

O ministro indicou que Portugal dará prioridade às questões multilaterais, mas também à necessidade de reformar as Nações Unidas e reabilitar a organização para as questões da paz e da segurança.

"Por isso, o Conselho de Segurança é uma instituição fundamental. Nós queremos estar efetivamente no coração deste debate global, (...) e para estarmos efetivamente, esta posição não permanente em 2027-2028 é decisiva", concluiu.

O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 membros (cinco permanentes e 10 não permanentes). Cada membro tem um voto, sendo que os cinco membros permanentes - China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia - têm também poder de veto.

Os membros não permanentes são eleitos para um mandato de dois anos.

Lusa

terça-feira, 18 de agosto de 2026

O Ministro da Saúde reuniu-se esta manhã com uma.delegacao de alto nível da Organização Oeste Africana de Saúde OOAS, chefiada pelo seu Diretor - geral, Melchior Aissi, que se encontra em Bissau para visita de contactos com autoridades do país que numa ação de advocacia que o levará a outros países da subregião ocidental, procurando solicitar o engajamento efetivo das respectivas autoridades na implementação da nova Política Regional de Saúde Comunitária.

MINISTÉRIO DA SAÚDE PÚBLICA "JUNTOS PODEMOS
No encontro, o Ministro da Saúde, Comodoro Dr. Quinhin Nantote, respondeu favoravelmente à preocupação do Director-geral da OOAS, afirmando a vontade institucional do ministério da saúde na implementação da nova política comunitária regional.
No âmbito dessa missão, será realizado durante dois dias, 19 e 20 deste mês, um atelier de divulgação sobre a nova Política Regional da Saúde Comunitária, ao qual, são convidadas várias instituições públicas e privadas inerentes à saúde pública.
Em Bissau, a delegação termina visita na quinta-feira (20.08).

Integra a delegação, a representante residente da Comissão da CEDEAO na Guiné-Bissau.

por: gabinete de Comunicação Minsap GW "juntos podemos"

Governo e Zener chegam a acordo para manter preços dos combustíveis


O Primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, afirmou que o Governo mantém negociações permanentes com a empresa de importação e distribuição de combustíveis Zener para garantir a manutenção dos preços atualmente praticados no mercado. Segundo explicou, o Executivo não pretende autorizar um aumento dos preços dos combustíveis, tendo em conta os seus impactos na economia nacional, nomeadamente no custo dos transportes e dos produtos de primeira necessidade.

O chefe do Governo fez estas declarações aos jornalistas esta terça-feira, 18 de agosto de 2026, à margem de uma visita às instalações da Imprensa Nacional Casa da Moeda (INACEP), onde se deslocou para acompanhar os trabalhos de produção dos boletins e de outros materiais sensíveis destinados ao referendo nacional agendado para o próximo dia 30.

Nos últimos dias, o Setor Autónomo de Bissau tem enfrentado uma escassez de combustíveis nas estações de serviço, na sequência da demora na conclusão de um acordo entre o Governo e a Zener, grupo togolês que adquiriu a Petrogal GB e atualmente responsável pela importação e distribuição de combustíveis no país.

O Democrata apurou que a Zener Internacional Holding tem vindo a registar margens de lucro insignificantes devido à evolução das cotações dos produtos derivados do petróleo no mercado internacional.

Segundo uma fonte de O Democrata, uma comissão interministerial propôs ao Governo uma nova estrutura de preços para a comercialização da gasolina e do gasóleo. Contudo, o Executivo manifestou reservas em relação à proposta, devido aos possíveis impactos de um aumento dos combustíveis no preço dos bens essenciais e aos efeitos que uma eventual redução das taxas fiscais poderia ter nos compromissos assumidos pelo país no âmbito do programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Como consequência desse impasse, a empresa terá reduzido o ritmo de distribuição e venda de combustíveis, contribuindo para a escassez registada na capital.

Perante este cenário, Ilídio Vieira Té revelou que o Governo chegou a um entendimento com a Zener, que aceitou manter os preços dos combustíveis de acordo com a tabela anteriormente em vigor. Acrescentou que os postos de abastecimento já começaram a reabrir gradualmente, com vista à normalização do fornecimento.

O Primeiro-ministro garantiu ainda que o Governo irá compensar as perdas financeiras que a Zener possa estar a registar em consequência da manutenção dos preços atuais.

De acordo com a tabela de preços em vigor, um litro de gasóleo custa 885 FCFA, enquanto um litro de gasolina é vendido a 889 FCFA.

“O Governo prefere subvencionar, ou seja, assumir essas perdas para que não haja um impacto direto na população. Fizemos isso justamente para proteger o mercado e evitar o aumento do preço dos combustíveis”, afirmou.

Vieira Té acrescentou que o Executivo continuará a acompanhar a evolução do mercado internacional e a procurar soluções que permitam absorver fiscalmente as variações dos preços dos combustíveis.

Relativamente à visita à INACEP, explicou que o objetivo foi verificar o cumprimento das normas de segurança na produção dos materiais destinados ao referendo nacional.

“A INACEP é a instituição que tem a obrigação e o dever de produzir todos os instrumentos de governação do Estado”, sublinhou.

O chefe do Executivo de transição manifestou confiança de que os trabalhos estarão concluídos dentro dos prazos previstos, permitindo a realização do referendo na data estabelecida, 30 de agosto.

Segundo garantiu, os trabalhos decorrem de forma acelerada e os serviços funcionam em regime reforçado para assegurar a conclusão atempada do processo.

Por: Carolina Djeme
odemocratagb

Guiné-Bissau: "Constituição Militar é Golpe de Estado que vai transformar-se em poder constituinte"

 Carmelita Pires, jurista e antiga ministra da Justiça da Guiné-Bissau (Foto de arquivo) www.gbissau.com

Desde a passada quinta-feira, está lançada na Guiné-Bissau a campanha de informação em torno da nova Constituição a ser submetida a referendo no próximo dia 30 de Agosto. Enquanto o Conselho Nacional de Transição tem apelado ao voto 'Sim' alegando que o texto garante uma maior estabilidade politica ao país, algumas vozes da sociedade civil têm levantado dúvidas sobre o texto e a própria legalidade da organização desta consulta popular.

Nesta segunda-feira, Carmelita Pires, jurista e antiga Ministra da Justiça da Guiné-Bissau, publicou nas redes sociais um apelo ao boicote do referendo, ou em segunda instância, ao voto 'Não', após expor as suas reservas sobre a legitimidade da organização do referendo por emanar de uma entidade que tomou o poder pela força, os moldes da fiscalização da consulta e ainda o universo de eleitores que abrange.

Na sua publicação, Carmelita Pires sublinha também e sobretudo não ver a utilidade de se organizar um referendo, dado que a nova Constituição -a que chama de 'Constituição Militar'- já foi adoptada pelo Conselho Nacional de Transição e inclusivamente está inscrita no Boletim Oficial da República da Guiné-Bissau desde finais de Fevereiro.

RFI: Antes de abordarmos o conteúdo da nova Constituição, o que se pode dizer sobre os moldes do referendo?

Carmelita Pires: Estamos perante uma ruptura da ordem constitucional. Nós temos uma Constituição vigente na Guiné-Bissau. Um golpe de Estado que, de repente, quer-se transformar em poder constituinte. E como se não bastasse, já que se refere à questão da organização, a verdade é que, tendo isto tudo na base, nós até nem sabemos o que é que vamos votar. Porque veja bem, se é que vamos votar um referendo, mas de uma Constituição que, entretanto, já está no nosso Boletim Oficial que dá vigor e eficácia a esse acto supostamente jurídico desde 24 de Fevereiro de 2026. A organização é o poder de facto que está a controlar tudo mesmo. Não há hipótese de fiscalização nenhuma porque, em última análise, aquilo que é a fiscalização prévia cabe ao Supremo Tribunal de Justiça, que foi assaltado por militares, como nós sabemos. A participação da diáspora está fora. Completamente. Nós nem sequer conseguimos saber o que é o número de eleitores. E caricatamente, nas vésperas, a semana passada, eles resolveram substituir o cartão dos eleitores por uma espécie de segunda via. Tudo isto indicia uma fraude.

RFI: Citou uma série de textos que prevêem, nomeadamente, que não se possa organizar uma consulta popular entre a data em que se marquem eleições e a própria realização de eleições. Menciona igualmente que também não possa haver uma nova remodelação da Lei Suprema guineense antes do prazo de dez anos.

Carmelita Pires: Refere-se a duas questões diferentes. Refere-se à própria Constituição que supostamente vai ser submetida a um referendo popular. Eles nessa Constituição, dizem que são dez anos. Ou seja, a própria Constituição, nós estamos a falar, desde a sua origem, que a nossa Constituição de proclamação unilateral do Estado de 1973 e todas as outras, mesmo depois de nós aderirmos à democratização do nosso país, um sistema multipartidário tem os seus mecanismos próprios de prever a revisão. 

Ora, isto é um bloqueio total do Estado. Isto é, conforme o sistema que eles estão a prever neste tal texto da 'Constituição Militar', é bloquear mesmo o próximo poder que possa surtir das tais eleições que eles próprios também marcaram. A outra questão é na própria lei de referendo. A lei de referendo prevê um prazo de marcação do referendo. Quer dizer que durante um determinado período que a própria lei reconhece, não é possível a convocação e realização do referendo. Refiro-me concretamente ao Artigo 9.º n.°1. Quando este referendo foi convocado, as eleições já estavam formalmente marcadas há quase seis meses. Portanto, tanto a convocação como a realização prevista do referendo situa-se num período que o Artigo 9.º n.°1 da própria lei que eles fizeram, proíbe.

RFI: Também menciona no seu 'post' a questão da fiscalização das entidades que vão estar a vigiar este referendo.

Carmelita Pires: Efectivamente é mais complicado. Porque qual é que é a fiscalização? Mandou-se a fiscalização prévia para o Supremo Tribunal de Justiça. Volto a dizer, os órgãos de soberania foram todos assaltados antes do tal golpe de Estado. Este Conselho Nacional de Transição vem só confirmar tudo o que já tinha sido apropriado. Então, eles dizem que dá-se ao Supremo Tribunal a fiscalização prévia na veste do Tribunal Constitucional que não existe, veja só. Mas a iniciativa tem que ser requerida pelo Presidente da República de Transição, o militar Presidente da República. Existem também, na própria lei, mecanismos de reclamação e recurso de participação civil, mas muito ténues. Quando, todavia, permanece a questão de que há fiscalização autónoma efectiva, não existe por parte das forças políticas, de organizações independentes do poder que estão a promover este referendo. Tudo suscita muitas dúvidas. Não está nada clara a questão da fiscalização.

RFI: E lá está, em simultâneo com o lançamento da campanha de sensibilização sobre este referendo, também se dá posse aos novos juízes conselheiros do Supremo Tribunal. Isto é um mero acaso de calendário, a seu ver?

Carmelita Pires: Não, a meu ver, não é um mero acaso. É deliberado. E voltamos sempre a essa questão no Supremo Tribunal ter sido assaltado por homens armados, compulsivamente retirado o seu presidente. Depois, engenharias foram feitas para que se pusesse no topo da cadeia da magistratura do nosso país magistrados que sejam simpatizantes do 'status quo'. 

E ainda por cima são doze. Mas neste momento, estão empossados oito e parece que se fecha assim. Portanto, não se está a observar sequer a lei do Conselho Superior de Magistratura sobre estas questões, nem sequer a nossa lei judiciária e todas as prerrogativas do Supremo Tribunal. Isto é dramático. O termo, acho que é mesmo esse. Isto é dramático, a forma como estão a ser destruídas as instituições da República, particularmente aquela que é o topo, o cimo da cadeia da Justiça da Guiné-Bissau.

RFI: Sobre o conteúdo desse novo texto submetido a referendo, evocou-se muito no espaço público guineense o facto de se fazer algumas alterações no parlamento guineense, que passa a ter menos deputados do que na anterior Constituição.

Carmelita Pires: Entrar nesta Constituição que eu chamo 'Constituição Militar', se a origem está viciada, por que razão nós vamos nos dar ao trabalho? Nós, particularmente, que temos esta formação específica de estar a analisá-la. Mas posso lhe só dizer que, enfim, nós estamos a falar de 30 e tal artigos na Constituição vigente e vamos para quatro ou cinco vezes mais do que isso. É uma espécie de "copié-collé" (copy-paste), pega-se no nosso sistema semipresidencial que, já por si, tinha pendor presidencial, em que o presidente já tinha uma série de prerrogativas. Uma delas é presidir o Conselho de ministros como bem entendesse, porque é uma Constituição também feita para uma transição democrática, mas em que estávamos num Estado de partido único, de um poder absoluto. 

Também já tem as suas anomalias e é natural que nós não estamos contra isto, de que já é chegado o momento, tanto mais que é uma manta de retalhos, para nós irmos para a liberação económica política. E queríamos fazer, mas não nestes termos, porque a sua origem está viciada à partida. E enfim, tem uma série de situações que saem logo ao de cima. Vê-se que é a preocupação do regime, como é o caso, de obrigar quem se candidatar à presidência, tem que estabelecer cinco anos de residência, no mínimo. Parece, aliás, caricatamente, que o próprio ex-presidente com o qual eles estão a trabalhar, também lhe apanha, se for o caso, quando falarmos das próximas eleições. 

Mantém no poder os órgãos instituídos pela Carta de Transição, nesta nova Constituição militar, até à posse dos futuros titulares dos órgãos de soberania. Ou seja, os órgãos nascidos depois de uma ruptura produzem um texto que é esta Constituição Militar que passa a fundamentar a sua própria permanência no poder. E vão mais longe ainda: impedem, conforme nós dissemos, qualquer nova revisão constitucional em dez anos. 

Alteram a Constituição depois de uma ruptura militar e pretendem impedir que futuros representantes democraticamente eleitos pelo povo possam revê-la numa década. Admite-se? Isto é, só trazendo ao de cima as coisas mais flagrantes. Mas quando a origem em si da própria Constituição Militar é imposta, é uma interrupção coerciva do processo eleitoral, porque o povo guineense votou a 23 de Novembro de 2025 e depois vem com esta justificação de que dão este golpe pelas imensas razões que eles próprios invocaram e não se sabe em que Constituição é que nós estamos neste momento a navegar. 

A 'Constituição Militar' é um Golpe de Estado que vai transformar-se em poder constituinte. Quem toma o poder pelas armas não adquire, por esse facto, legitimidade para substituir a Constituição da República e criar uma nova ordem constitucional. Isto é mais que evidente.

RFI: Este fim-de-semana, o Presidente de transição, o general Horta Inta-A, disse que o referendo a esta Constituição não visa permitir o regresso de Sissoco Embaló ao poder.

Carmelita Pires: Bom, isso são suspeições que caem sobre eles. É gente do Sissoco. O actual Presidente militar esteve em campanha, por Sissoco Embaló, o ex-Presidente. Quando viram que as pessoas estavam a falar por demais ali, puseram nas instituições públicas a fotografia do tal Presidente autoproclamado. E não é só isso. É que não só o próprio Presidente, porque aquilo é pequeno. O chefe de Estado das Forças Armadas, o ex-presidente o tinha posto como chefe de Estado-Maior particular das suas forças. Temos milícias que estão sob a tutela de comandos ou milícias constituídas pelo ex-presidente e temos 30 e tal pessoas que são nomeadas para este tal governo de transição, como para a tal Assembleia forjada, que são pessoas afectas -inclusive posso dizer isto- até do ponto de vista étnico, ao Presidente deposto. Portanto, é natural que ao guineense lhe surjam suspeições. Suspeições sérias. Mas acho que não é só os guineenses. A própria comunidade internacional, porque as Nações Unidas estão lá. A União Africana está lá, a CEDEAO está lá. Todos vêem estas questões porque são flagrantes.

RFI: Por fim, no seu 'post', apela à resistência do povo guineense. Apela à abstenção. A seu ver, de que modo é que os eleitores guineenses deveriam actuar no dia 30 de Agosto?

Carmelita Pires: Tivemos algumas dúvidas metódicas em relação a um bloqueio total perante tudo o que eu acabei de lhe dizer. Ou então dizer às pessoas vão votar e vão votar 'Não'. Isto porque, veja bem que naquela altura, também para as eleições que eles recusaram até hoje reconhecer, apesar de a CNE já estar outra vez a funcionar, porque é que eles deram um golpe e não protegeram a CNE? 

Mas agora, já se protege para o tal referendo, não é? Bom, acontece que já nessa altura nós dizíamos como é que vamos a eleições quando estavam a destruir os partidos, não aceitavam determinadas candidaturas. Foi o que foi. E mesmo assim fomos e ganhou-se com maioria. Foram as primeiras eleições na Guiné-Bissau em que, logo à primeira volta de umas presidenciais, já não haveria segunda volta porque se tinha atingido um resultado que nunca tinha sido atingido. Mesmo assim, foi o que foi. Então, é natural que, neste momento, a gente diga 'Não'. Se calhar é melhor bloquear já, porque temos estes dados todos. O reverso da medalha é assim: se a coisa já estiver feita e estiver tudo pronto, como é o caso, de se publicar uma Constituição que já está em vigor supostamente porque essa é a regra jurídica no nosso país, já está tudo arranjado. 

Então, talvez também sugerir às pessoas, as tais que não desobedecerem, as tais que não boicotarem, que continuem uma resistência cívica. Ou seja, se forem votar, que votem 'Não', com algum receio de que eles aproveitem as pessoas a ir votar no tal dia e possam beneficiar das imagens, para dizer que está tudo bem no nosso país, quando não está. 

Aí está o apelo à resistência. Não saiam de casa. Isto é tudo o que tem a ver com desvirtuar completamente a proclamação daquele Estado e tudo o que são as instituições e a soberania do país. Ao mesmo tempo, dizer também que se acharem mesmo que têm que ir votar, pelo menos votem 'Não'. 'Não' há Constituição militar, 'Não' ao referendo militar e 'Não' à substituição da Constituição pela força das armas.

Por: Liliana Henriques

RESULTADOS OPERACIONAIS | POP recupera nove animais furtados na região de Bafatá

Comissariado Nacional da Polícia de Ordem Pública Guiné-Bissau

A Polícia de Ordem Pública (POP), através da Esquadra de Bafatá, realizou uma operação nas zonas rurais situadas entre Bambadinca e Xitole, que resultou na recuperação de nove ovinos alegadamente furtados.

De acordo com as informações recolhidas no decurso da operação, os animais recuperados serão provenientes da região sul do país, concretamente da localidade de Fulacunda.
No âmbito da mesma operação, um indivíduo suspeito de envolvimento no alegado furto encontra-se sob custódia policial, enquanto os animais recuperados permanecem sob responsabilidade da Esquadra de Bafatá, para os devidos procedimentos legais.
A operação enquadra-se no âmbito das ações de prevenção e combate à criminalidade, com especial enfoque no furto e roubo de gado, fenómeno que afeta diretamente os meios de subsistência das comunidades e a segurança das populações.
A Polícia de Ordem Pública reafirma a sua determinação em prevenir e combater todas as formas de criminalidade, reforçando a sua presença no terreno e a sua capacidade de resposta, com vista à proteção dos cidadãos, dos seus bens e à preservação da ordem e da segurança pública.

«VISITA DE AMIZADE E DE TRABALHO» PRESIDENTE HORTA INTA-A DEFENDE COOPERAÇÃO CONCRETA COM O GABÃO E INTERCEDE PELA COMUNIDADE GUINEENSE



O Presidente da República, General de Exército Horta Inta-a, defendeu, durante o encontro bilateral com o seu homólogo gabonês, General Brice Clotaire Oligui Nguema, o reforço das relações entre a Guiné-Bissau e o Gabão, através de uma cooperação assente em ações concretas e de interesse mútuo.

No seu discurso, o Chefe de Estado destacou os históricos laços de amizade e fraternidade que unem os dois países e considerou que as recentes visitas recíprocas dos dois Presidentes devem constituir um novo impulso para a cooperação bilateral. Neste sentido, apontou a concertação diplomática regular entre os dois Governos como um importante mecanismo para transformar a vontade política existente em resultados concretos.

O Presidente Horta Inta-a destacou igualmente a convergência entre os dois países em matérias relacionadas com o desenvolvimento sustentável, combate à pobreza e aos efeitos das alterações climáticas, proteção da biodiversidade, bem como a aposta na educação e formação da juventude.

À margem da visita, o Presidente da República manteve ainda um encontro com a comunidade guineense residente em Libreville, durante o qual ouviu as suas principais preocupações. Entre as questões apresentadas, mereceu particular atenção a situação relacionada com a documentação e regularização da permanência de cidadãos guineenses no Gabão.

Perante esta preocupação, o Chefe de Estado informou ter abordado o assunto junto do Presidente Brice Clotaire Oligui Nguema, solicitando às autoridades gabonesas uma atenção especial e um tratamento preferencial da questão, tendo em conta os tradicionais laços de amizade e fraternidade existentes entre os dois povos.

A iniciativa enquadra-se na determinação dos dois Chefes de Estado em dar um novo dinamismo às relações entre a Guiné-Bissau e o Gabão, aproximando não apenas os Governos, mas também os respetivos povos.

A visita, realizada no contexto das celebrações da Festa Nacional do Gabão, permitiu ainda reafirmar a qualidade das relações entre os povos guineense e gabonês e o compromisso dos dois Governos em continuar a consolidar uma parceria assente na confiança mútua, solidariedade africana e prosperidade partilhada.