sexta-feira, 5 de junho de 2026

(…) - Havia uma vez um homem chamado Nino Vieira - disse Mamadú, com a voz grave como o rumor das ondas a quebrarem nas pedras do cais. Os olhos fixos num ponto distante, como se pescasse o passado no horizonte. - Lutámos com ele, meu neto. Lá no mato. Com fome.


Às vezes sem botas, apenas com sandálias de plástico e o coração na boca.
Fez uma pausa. Bebeu um gole de uarga, devagar, como quem bebe uma tristeza
que já não tem pressa de acabar.
- Mas tínhamos coragem. Coragem, Amílcar! - A voz subiu, virou trovão por um instante, depois amansou. - Isso é o que falta hoje nesta terra. Já não sabemos onde acaba a nossa vontade e começa a vontade dos outros, principalmente a vontade do povo.
Amílcar conhecia aquela história como o pescador conhece o cheiro do mar.
Cada repetição era um mundo diferente, as mesmas palavras, mas com novas sombras, novos pesos. Os nomes que o avô pronunciava - Nino, Cabral, Pindjiguiti - não eram apenas sons. Eram espíritos. Saíam da terra, sentavam-se entre eles, aqueciam as mãos na fogueira invisível da nossa memória coletiva.
- E Amílcar Cabral, avô? - perguntou ele, com aquela curiosidade que não conseguia disfarçar, que saía sozinha, como a água que encontra sempre uma fenda na pedra. - Como era?
Mamadú não respondeu de imediato. Tirou do bolso do casaco puído uma fotografia. Pequena. Em preto e branco, quase desfeita pela humidade e pelo tempo, com as bordas desfiadas como um segredo contado demasiadas vezes. Na imagem, um grupo de homens posava sob a sombra de um cajueiro monumental, armas erguidas, olhos famintos de futuro.
- Esta foto foi tirada no dia em que libertámos Quinara. - Apontou para uma figura magra ao centro. - Eu era o mais novo. Mas também o mais teimoso. Só me calei quando me puseram uma arma nas mãos.
Depois, com a voz de quem entra numa catedral, falou de Cabral.
- Amílcar Cabral era diferente, meu neto. Tinha a cabeça de um sábio, o coração de um povo inteiro, e a alma de um poeta. Não queria poder, como esses homens de hoje, de fatos caros e carros com ar-condicionado. Ele queria justiça. Queria Liberdade e Queria
Progresso. - Fez uma pausa, como se medisse o peso das palavras seguintes. - Escrevia como quem luta. Falava como quem sonha. E sonhava como quem dança, de olhos abertos, sem medo de cair.
Amílcar fechou os olhos por um segundo. Viu-o: Cabral, nascido em Bafatá,
agrónomo, poeta e revolucionário, que fora estudar para Lisboa e voltara com um vulcão no peito. Fundador do PAIGC em 1956, homem que unira balantas, fulas, mandingas, manjacos, pepéis, etnias que o colonialismo tentara convencer de que eram inimigas, numa única causa: a dignidade.
Morreu em 1973, às vésperas da independência. Uma bala comprada por mãos que nunca apareceram totalmente à luz. Mas o que ficou dele, as cartas, os discursos, as teorias escritas em papel barato de guerrilheiros, continuava a arder.
Bolama era assim: um lugar onde o passado não ficava quieto.
A ilha tinha a sua própria gramática, os tambores que chamavam para os djumbais nas noites de lua cheia, as vozes das mulheres mandingas no mercado, os griots que contavam histórias de Okinka Pampa, a rainha-guerreira dos Bijagós que, segundo a lenda, se transformava em pantera para proteger o seu povo. Balantas com as suas danças do kussundé. Fulas com canções melancólicas que pareciam feitas de saudade e savana. Manjacos que tingiam panos com índigo, azul-escuro como a noite antes da chuva.
Tudo coabitava em Bolama com uma harmonia que parecia desafiar a história.
Antes das crises. Antes dos homens de farda.
A mãe de Amílcar, Rosa, vendia frutas e castanha de caju no mercado da cidade.
Carregava os cestos na cabeça com um lenço florido, o ordidja, que parecia uma coroa. (…)
- - -
By: Emílio Tavares Lima
in: O Palácio das Sombras (livro em construção)

O Presidente de Transição da República da Guiné-Bissau, General Horta Inta-a, recebeu no Palácio da República os peregrinos da Guiné-Bissau que retornaram da Cidade Santa de Meca, após o cumprimento do Hajj 2025.

Ilídio Vieira Té, Primeiro-Ministro, esteve na audiência.
Os peregrinos expressaram sua gratidão ao Presidente e ao Governo pelo apoio prestado, considerado de suma importância para o êxito da missão deste ano.
Destacaram ainda a atuação do Alto-Comissariado para a Peregrinação, elogiando a organização e as condições garantidas ao longo da viagem.
Em declarações aos presentes, o Chefe de Estado felicitou os peregrinos pelo regresso em segurança e apelou à preservação dos valores da paz, da unidade nacional e da convivência harmoniosa entre todos os guineenses, independentemente das convicções religiosas.
A cerimônia encerrou com a participação do presidente e dos peregrinos na tradicional oração de sexta-feira, num momento descrito como de forte simbolismo espiritual e de reafirmação da fé, da fraternidade e da coesão nacional.
Radio Djumbay/ADD

O Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, João Bernardo Vieira, inaugurou nesta sexta-feira, 5 de junho de 2026, o Centro de Produção de Bilhete de Identidade Biométrico na cidade de Bolama.

Na sua intervenção, o Ministro destacou que esta realização constitui mais um passo decisivo no reforço do acesso dos cidadãos aos serviços públicos. Salientou ainda que ao aproximar o serviço público as populações, está se a facilitar o exercício dos direitos cívicos, reforçando a inclusão de todos os cidadãos, incluindo aqueles que vivem nas regiões insulares.
Na cerimónia, o Governador da Região de Bolama/Bijagós esteve representado pelo Secretário Regional, Queba Sanhá, que agradeceu ao Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos pela abertura deste segundo Centro de Produção de Bilhete de Identidade Biométrico na região.





“Não há petróleo descoberto, nem condições para vender” – diz o ministro de recursos naturais




O ministro dos Recursos Naturais, Júlio Mamadu Baldé, afirmou que o país não possui nenhuma descoberta de petróleo e que ainda não é possível pensar na produção, muito menos na venda.

O governante pediu calma perante as especulações, sublinhando que “na indústria do petróleo não se pode esconder nada”.

O ministro reconheceu, contudo, a qualidade dos funcionários da Petroguim — Empresa Nacional de Pesquisa e Exploração Petrolífera.

Júlio Mamadu Baldé falava esta sexta-feira, 5 de junho de 2026, após uma visita de cortesia às instalações da Petroguim, com o objetivo de se inteirar sobre o funcionamento da empresa.

Baldé afirmou que o país se encontra numa fase de transição energética, mas isso não significa que as indústrias fósseis, como o petróleo, deixem de ter importância.

Segundo o ministro, o mundo está atualmente atento à região, nomeadamente aos países vizinhos como a Mauritânia, o Senegal, a Gâmbia, a Guiné-Bissau e a Guiné-Conacri.

“Até ao momento, existem apenas seis descobertas nestas zonas: três na Mauritânia e três no Senegal. Essas grandes descobertas demonstram que a nossa bacia é próspera. Entretanto, Guiné-Bissau, Gâmbia e Guiné-Conacri ainda estão na fase de exploração”, afirmou.

Júlio Mamadu Baldé explicou que a produção de petróleo exige várias etapas. A primeira é a fase de exploração, que inclui aquisição sísmica, interpretação de dados, análise da estrutura geológica e realização de furos de prospeção.

“Caso haja descobertas, realiza-se uma avaliação económica e, sendo positiva, avança-se para outras análises até à segunda fase, que é a produção”, esclareceu.

O ministro assegurou que a Guiné-Bissau se encontra numa zona promissora, razão pela qual várias companhias têm demonstrado interesse no país.

“A nossa esperança é melhorar o ambiente económico para que possamos tornar-nos um país produtor, como o Senegal e a Mauritânia, que já estão a produzir. Estamos confiantes de que, com os novos parceiros e a dinâmica observada na Petroguim, será possível testar estruturas brevemente. Se os resultados forem positivos, o país poderá conhecer mudanças significativas”, afirmou.

Baldé reforçou que, sem produção, não é possível vender petróleo, explicando que qualquer descoberta deve estar devidamente identificada, incluindo o campo, os responsáveis e a localização.
“Esses elementos ainda não existem no nosso caso”, sublinhou. Acrescentou, no entanto, que após uma eventual descoberta, o país pode levar cerca de cinco anos para iniciar a produção.

“Veja-se o exemplo da Guiné Equatorial, que descobriu o campo Ceiba, ‘bão-bão’ na sua linguagem, e o do Senegal, que iniciou a produção cerca de quatro e oito anos respectivamente após a descoberta”, concluiu.

Por: Natcha Mário M’bundé
odemocratagb.

«Portugal Greve Geral» Confrontos junto à AR: 3 dos detidos com Termo de Identidade e Residência


Três dos seis manifestantes detidos na sequência de confrontos com a Polícia de Segurança Pública (PSP) junto à Assembleia da República, na passada quarta-feira, saíram em liberdade e aguardarão o julgamento com Termo de Identidade e Residência.
Três dos seis manifestantes detidos após confrontos com a Polícia de Segurança Pública (PSP) junto à Assembleia da República, na passada quarta-feira, dia de greve geral, saíram em liberdade e ficarão a aguardar o julgamento com Termo de Identidade e Residência.

A informação foi avançada esta sexta-feira pela CNN Portugal, que assinalou que outras duas pessoas estão a ser ouvidas no Campus de Justiça, em Lisboa.

Recorde-se que um sexto detido já tinha saído em liberdade.

Fonte da PSP confirmou ao Notícias ao Minuto tratarem-se de cinco homens, com 22, 24, 26 e 34 anos, e uma mulher, de 26 anos.

Os confrontos não estarão relacionados com a manifestação da CGTP, que decorreu com normalidade, segundo disse o responsável pelo Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP, superintendente Resende da Silva.

Aliás, a manifestação da central sindical terminou pelas 16h15, ficando os profissionais da PSP a desimpedir as ruas em frente ao Parlamento e adjacentes. Contudo, por volta das 18h00, um grupo de dezenas de jovens voltaram a colocar as barreiras metálicas retiradas pelas autoridades e tentaram cortar o trânsito naquela zona.

Os jovens mantiveram-se no local, tendo proferido insultos aos polícias, arremessado garrafas e incendiado caixotes. Mesmo tendo sido avisados por diversas vezes, mantiveram o mesmo comportamento.

Após a intervenção da PSP, com bastonadas, os manifestantes fugiram pelas ruas limítrofes, ficando a situação mais tranquila pela 19h00. No entanto, as autoridades permaneceram no local, enquanto as ruas eram desimpedidas dos caixotes queimados e outros detritos.

.noticiasaominuto.

Confira na íntegra, o vídeo da defesa pública do nosso mais recente Mestre Zeca Sousa Cordeiro, cujo tema da dissertação intitulado "Gestão de Segurança de Grandes Eventos -O caso da polícia de ordem pública da Guiné Bissau".



Gestão da Segurança em Grandes Eventos: O Caso da Polícia de Ordem Pública da Guiné-Bissau.

Uma temática muito atual e com grande subsídio na política de segurança, nomeadamente, na de direção, coordenação e execução de policiamento de grandes eventos na Guiné Bissau.

𝗞𝗔𝗥𝗚𝗔 𝗡𝗔 𝗣𝗨𝗥𝗚𝗔


POLON®
𝗞𝗔𝗥𝗚𝗔 𝗡𝗔 𝗣𝗨𝗥𝗚𝗔
Duranti epoka kolonial na Guiné Bissau txeu kabuverdianu imigra pabia di difikuldadi ki tinha na arkipelagu. Ku un diterminadu nivel di skolaridadi, es konsigi trabadju na kargus administrativu i djuda guvernu kolonial.
Es rabadidja das algun statutu i vantaji, mas tanbi kria diferensa ku populason lokal.
Tivi troka di kultura, mas tanbi konflitu.
Mas tardi kes diferensa foi kestionadu na luta pa indipendensia, lideradu pa Amilcar Cabral.
Apezar di un ligason storiku txeu forti i union pa mesmu movimentu di libertason, ti oxi Cabo Verde i Guiné Bissau inda teni "karga na purga".
During the colonial period in Guinea-Bissau, many Cape Verdeans from Cape Verde moved there because of difficulties in their homeland. As they had more education, many worked in administrative jobs and helped the colonial government. This gave them some advantages but also created differences with the local population. There was cultural exchange, but also conflict. Later, these differences were questioned during the struggle for independence, led by Amílcar Cabral.
Despite a very strong historical connection and unity through the same liberation movement, Cape Verde and Guinea-Bissau still have issues to resolve.
@followers


‎GUINÉ-BISSAU OBTÉM FINANCIAMENTO DE 10 MILHÕES DE DÓLARES PARA REFORÇAR RESILIÊNCIA CLIMÁTICA NAS ZONAS COSTEIRAS E URBANAS


A Guiné-Bissau vai beneficiar de um financiamento de 10 milhões de dólares norte-americanos para reforçar a resiliência das zonas costeiras e urbanas face aos impactos das alterações climáticas.
‎O apoio foi aprovado pelo Fundo para os Países Menos Desenvolvidos (LDCF), gerido pelo Fundo Global para o Ambiente (GEF).
‎De acordo com uma nota consultada pela Rádio Sol Mansi e datada de 4 de junho, o investimento será aplicado através do projeto “Futuros Resilientes: Proteger as Zonas Costeiras e Urbanas da Guiné-Bissau contra os Riscos Climáticos”, uma iniciativa com duração de sete (7) anos destinada a fortalecer a capacidade de adaptação das comunidades vulneráveis em diferentes regiões do país.
‎As autoridades nacionais e os parceiros internacionais alertam que as zonas costeiras da Guiné-Bissau estão entre as mais vulneráveis da África Ocidental. A subida do nível do mar, as inundações, a erosão costeira e a ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos constituem ameaças crescentes para habitações, infraestruturas, ecossistemas e meios de subsistência das populações.
‎A situação é agravada pela degradação dos mangais e das florestas costeiras, ecossistemas que desempenham um papel fundamental na proteção natural contra tempestades, inundações e erosão.
‎O projeto segundo a mesma nota, terá incidência nas áreas urbanas e periurbanas de Bissau, bem como na ilha de Bubaque e em Varela, regiões particularmente expostas às inundações costeiras, à erosão, à intrusão salina e a outros riscos associados às alterações climáticas.
‎A iniciativa prevê o reforço de infraestruturas resilientes, a restauração dos ecossistemas costeiros, a melhoria dos mecanismos de preparação e resposta a catástrofes e o apoio direto às comunidades para o desenvolvimento de meios de subsistência adaptados às novas condições climáticas.
‎Um dos aspetos centrais do programa é a promoção da participação das mulheres nos processos de tomada de decisão e o fortalecimento do seu acesso a oportunidades económicas resilientes ao clima. Segundo os promotores, as mulheres são frequentemente afetadas de forma desproporcional pelos impactos das alterações climáticas devido ao acesso desigual a recursos, terras e oportunidades de rendimento.
‎O projeto será implementado pelo Ministério do Ambiente e Ação Climática, com apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e pretende estabelecer um modelo de desenvolvimento costeiro resiliente, inclusivo e centrado nas pessoas, capaz de responder aos crescentes desafios climáticos enfrentados pelo país.
‎RSM: 05-06

PRS de Fernando Dias critica “pseudo processo inventado” contra Domingos Simões Pereira


O Partido da Renovação Social (PRS) manifestou o seu firme repúdio à criação do Tribunal Ad hoc, considerando tratar-se de uma figura jurídica incompatível com a Constituição da República da Guiné-Bissau e com os princípios do Estado de Direito Democrático.

Em comunicado divulgado esta quinta-feira (04.06), a que a Capital FM teve acesso, o partido acusa as atuais autoridades de utilizarem o referido tribunal para perseguir adversários políticos, cidadãos independentes e vozes críticas do poder, numa alegada tentativa de silenciar posições contrárias ao regime.

“A instrumentalização da justiça para fins políticos representa uma séria ameaça à democracia e à estabilidade nacional, constituindo um precedente perigoso para a consolidação do Estado de Direito no país”, lê-se na nota da ala do PRS liderada pelo ex-candidato presidencial Fernando Dias, que reivindica vitória nas últimas eleições presidenciais.

No documento, o partido expressa total solidariedade ao líder do PAIGC e presidente da Assembleia Nacional Popular, Domingos Simões Pereira, que considera estar a ser alvo de perseguição política através do que classifica como um “pseudo processo inventado contra DSP”.

O PRS defende que qualquer procedimento judicial deve respeitar os princípios da legalidade, imparcialidade, competência, presunção de inocência e proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos.

A formação política apela igualmente à comunidade nacional e internacional, às organizações de defesa dos direitos humanos e às forças vivas da sociedade para que permaneçam vigilantes perante aquilo que considera serem tentativas de degradação das instituições republicanas e da ordem constitucional.

“A Guiné-Bissau pertence a todos os guineenses e não pode continuar refém de agendas pessoais, perseguições políticas, projetos de destruição das suas instituições democráticas e de cartéis de droga”, conclui a nota.

Por CFM

Guiné-Bissau: Domingos Simões Pereira de volta a casa após ser ouvido no Tribunal Militar

Guiné-Bissau: O líder do PAIGC e presidente eleito do parlamento, Domingos Simões Pereira, foi hoje ouvido no Tribunal Militar de Bissau. DSP foi ouvido no âmbito do processo relativo à alegada tentativa de golpe de Estado, de outubro de 2025, no país. A defesa diz que Pereira voltou à condição de prisão domiciliária, mas sem novas medidas de coação.

O advogado, Roberto Indeque, foi quem falou em nome de um colectivo de defesa de Domingos Simões Pereira. Basicamente, Roberto Indeque disse que Domingos Simões Pereira saiu do Tribunal Militar tal como lá entrou: voltou para a sua residência, onde, desde janeiro passado, foi confinado à prisão domiciliária.

Na audiência desta quinta-feira, que durou pouco mais de três horas, o Tribunal Militar não aplicou nenhuma medida de coacção a Simões Pereira.

O advogado, Roberto Indeque, afirmou, em declarações aos jornalistas, que o político respondeu a todas as perguntas dos magistrados e que tinha ficado definitivamente assente, na expressão do advogado, que Domingos Simões Pereira não teve conhecimento e nunca esteve envolvido em qualquer tentativa de golpe de Estado.

O advogado disse que Simões Pereira regressa tranquilamente à sua residência e que, para já, não sabe se será ou não novamente convocado para voltar ao Tribunal Militar, no âmbito deste processo sobre uma alegada tentativa de golpe, que teria ocorrido em outubro de 2025. A Promotoria da Justiça Militar acusa Simões Pereira de ter estado envolvido na preparação do alegado golpe, através de disponibilização de meios financeiros, bem como da sua residência para realização de reuniões da conjura.

O advogado Roberto Indeque afirmou que Domingos Simões Pereira explicou ao tribunal que não faz parte da sua postura política participar em actos de subversão da ordem constitucional. A audiência de Simões Pereira foi pontuada por fortes medidas de segurança em todo o perímetro que dá acesso ao Tribunal Militar no bairro da Santa Luzia, em Bissau.

Por: Mussá Baldé
.rfi.fr/pt/

Decorreu, entre os dias 30 de maio e 4 de junho, uma missão do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. à Guiné-Bissau, para efetuar o balanço do primeiro ano de funcionamento do Mestrado em Língua Portuguesa, o primeiro curso de mestrado implementado na Guiné-Bissau.

O Mestrado, desenvolvido pela Escola Superior de Educação - Unidade Tchico Té (ESE-UTT), em parceria com a Universidade do Minho e financiado pelo Camões, I.P., é um marco histórico para o ensino superior Bissau-guineense, ao introduzir, pela primeira vez, uma formação pós-graduada ao nível de mestrado na Guiné-Bissau.
A missão manteve encontros com a direção da ESE-UTT, docentes, estudantes e órgãos pedagógicos, o que permitiu avaliar os resultados alcançados até ao momento e constatar o compromisso e a satisfação generalizada de todas as partes com o modelo de implementação e com os conteúdos lecionados, os quais foram considerados pertinentes e ajustados ao contexto. Ficou também patente o impacto positivo no reforço das capacidades académicas e na valorização da língua portuguesa na Guiné-Bissau.
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Embaixada de Portugal na Guiné-Bissau

"A formação/capacitação da componente humana é sinônimo de desenvolvimento".

POP conta com mais um Mestre em Segurança Pública
A Força de Segurança mais antiga da Guiné Bissau tem a honra e prazer de anunciar que, Zeca Sousa Cordeiro concluiu, com êxito, o Curso de Oficial de Polícia no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna em Portugal , formação que lhe confere o título académico de Mestre em Segurança Pública.
A dissertação apresentada, sob o título “A Gestão de Segurança de Grandes Eventos - o caso da Polícia de Ordem Pública da Guiné-Bissau", representa um relevante contributo académico e institucional para a reflexão sobre os desafios, limites e missão da polícia na política de segurança, mormente de grandes eventos.
Com esta importante conquista académica, a POP vê reforçado o seu capital humano qualificado, reafirmando o compromisso institucional com a excelência, a formação contínua e, quiçá na valorização dos seus quadros.
A Polícia de Ordem Pública da Guiné-Bissau felicita o agora Mestre Zeca Sousa Cordeiro por esta distinta conquista, desejando-lhe os maiores sucessos pessoais e profissionais no exercício das suas futuras funções.

Francisco Carvalho indigitado como novo Primeiro-Ministro


O Presidente da República, José Maria Neves, indigitou, hoje, Francisco Carvalho como novo Primeiro-Ministro, que irá formar o novo Governo liderado pelo PAICV, vencedor das eleições legislativas de 17 de Maio. Aliás, conforme afirmou Francisco Carvalho, o Governo já está formado, embora não tenha avançado detalhes sobre a sua constituição.

“Agora sim, nós vamos trabalhar, porque vamos apresentar um Governo que irá implementar aquilo que vimos defendendo, que é um Cabo Verde para todos”, afirmou, acrescentando que fará a apresentação do Governo em tempo oportuno.

Francisco Carvalho ressaltou que teve em conta a competência, o patriotismo, a dedicação, a experiência e outros critérios para a constituição do Governo. Entretanto, não avançou o número de membros que o compõem, garantindo apenas um esforço de contenção.

Quanto ao pronunciamento da presidente da UCID em desacordo com a sua indigitação, Francisco Carvalho considerou que, numa democracia, todo o pronunciamento é legítimo, sendo as pessoas livres para emitir juízos. Contudo, disse compreender as razões do fracasso eleitoral da UCID.

“Depois de ter ouvido o presidente da UCID, acabei por perceber a razão do seu fracasso eleitoral. Ele é um indicador do tipo de mentalidade que, neste momento, está a dirigir o partido político”, concluiu.

Por sua vez, o Presidente da República afirmou que está a cumprir rigorosamente a Constituição da República e a respeitar as boas práticas políticas vigentes em Cabo Verde desde a aprovação da Constituição de 1992.

“Estamos aqui a cumprir rigorosamente a Constituição da República, a respeitar as boas práticas políticas existentes em Cabo Verde após a aprovação da Constituição de 1992. Foi sempre assim que aconteceu. E também estamos a criar as condições para que a transição governamental se faça com toda a normalidade no quadro democrático existente no país”, declarou.

José Maria Neves considerou ainda que a polémica em torno da indigitação contribui para o reforço da literacia política no país.

Segundo o Chefe de Estado, trata-se de uma prática existente desde a entrada em vigor da Constituição de 1992, recordando que também foi indigitado antecipadamente nas três ocasiões em que assumiu as funções de Primeiro-Ministro.

Como exemplo, referiu que, em 2001, tomou posse antes da constituição do Governo, na sequência da demissão do então Primeiro-Ministro, Gualberto do Rosário, aceite pelo Presidente da República da época.

Nessa ocasião, explicou, foi formado um novo Governo que tomou posse 13 dias antes da constituição do Parlamento, tendo o Presidente delimitado claramente as suas funções, determinando que exercesse apenas funções de gestão até à plena instalação dos novos órgãos resultantes das eleições.

//expressodasilhas.cv/

«Região de Tombali | Setor de Catió» O Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Amadu Uri Guissé, realizou uma visita à fábrica de transformação de mandioca em farinha, no Setor de Catió, Região de Tombali.


A visita permitiu acompanhar de perto o funcionamento da unidade de processamento, que desempenha um papel importante na valorização da produção local de mandioca, contribuindo para o aumento do rendimento dos produtores, a criação de empregos e o reforço da segurança alimentar. A transformação local da mandioca em farinha é uma das apostas para agregar valor aos produtos agrícolas nacionais.

A Guiné-Bissau foi eleita para uma das Vice-Presidências da 81.ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas.


Esta eleição representa mais uma oportunidade para a Guiné-Bissau continuar a contribuir para o diálogo e a cooperação internacional, com vista à promoção da paz, do desenvolvimento sustentável, da dignidade humana e do reforço do multilateralismo.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades aproveita esta ocasião para expressar o seu profundo agradecimento aos Estados-Membros pela confiança depositada na Guiné-Bissau e para reafirmar o seu apego inabalável aos princípios e valores consagrados na Carta das Nações Unidas.
Ministério dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau

Cabo Verde: 11 arguidos em prisão preventiva por exploração sexual de menores

Cabo Verde: 11 arguidos em prisão preventiva por exploração sexual de menores © ministeriopublico.cv

Cabo Verde – Subiu para 11 o número de arguidos colocados em prisão preventiva no âmbito do processo relacionado com a alegada rede de exploração sexual de menores desmantelada na semana passada na ilha do Sal, em Cabo Verde, durante a Operação Aurora da Polícia Judiciária.

O mais recente suspeito foi detido no domingo, 31 de Maio, no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, quando desembarcava de um voo proveniente de Lisboa. Após ser presente ao Tribunal da Comarca do Sal para primeiro interrogatório judicial, foi-lhe aplicada a medida de coacção mais gravosa, ficando a aguardar julgamento em prisão preventiva.

Ao reagir ao caso, a presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), Zaida Morais de Freitas, considerou a situação "gravíssima", "inaceitável" e "inadmissível". A responsável sublinhou a necessidade de uma maior vigilância por parte da sociedade, lamentando que a alegada rede tenha actuado durante tanto tempo sem que tivesse sido denunciada. "Isto é uma situação gravíssima, inaceitável e inadmissível, que não pode existir na nossa sociedade. Também registamos com indignação o facto de esta situação ter perdurado durante tanto tempo sem que nenhum adulto, nenhum vizinho e ninguém na comunidade denunciasse. Temos de ter comunidades mais vigilantes", afirmou.

A presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente também manifestou a expectativa de que os alegados responsáveis e todos os envolvidos no esquema venham a ser condenados pela justiça.

Além dos 11 arguidos em prisão preventiva, outras quatro pessoas ficaram sujeitas a medidas de coacção, incluindo apresentações periódicas às autoridades, proibição de saída do país, obrigação de permanência na ilha do Sal e interdição de contacto com as vítimas.

A investigação prossegue sob coordenação das autoridades judiciais cabo-verdianas.

Por: Odair Santos
rfi.fr/pt

Pagamento de licenças: operadores de mototáxis pedem ao Governo trégua de seis meses

O presidente do coletivo de condutores e proprietários de transportes rodoviários de mototáxis, Biro Seide, pediu ao Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital e à Direção-Geral de Contribuições e Impostos a concessão de, pelo menos, seis meses de trégua antes do início da cobrança das licenças de circulação.

O pedido foi feito nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, durante uma conferência de imprensa, em reação ao despacho das autoridades do setor, que, segundo o responsável, está a criar barreiras à circulação de mototáxis nas vias públicas de Bissau.

Biro Seide afirmou que, caso o Governo suspenda a medida, todos os mototaxistas irão regularizar a sua situação até janeiro de 2027, antes de retomarem a circulação.

O sindicalista informou ainda que, na sequência do despacho governamental, a organização reuniu-se com a Direção-Geral de Viação e Transportes Terrestres, que alegou estar apenas a “cumprir orientações superiores”, sem margem para alterar a decisão.

“Estamos em contacto com o primeiro-ministro e com o ministro dos Transportes, Telecomunicações e Economia Marítima para negociar os termos de pagamento. Mas, neste momento, o nosso foco é garantir a trégua de seis meses, para que, em 2027, todos possam regularizar a sua situação”, afirmou.

Segundo Biro Seide, o Governo determinou o pagamento de 13.000 francos CFA pela licença de circulação semestral, acrescido de 11.500 francos CFA referentes às finanças, totalizando 24.500 francos CFA por cada seis meses.

Contudo, admitiu que, caso o Executivo endureça as medidas, a classe não terá alternativa senão acatá-las.

“Infelizmente, quem sai prejudicada é a população. Situações críticas poderão deixar de ser atendidas e zonas de difícil acesso ficarão isoladas por tempo indeterminado. Os mototáxis têm sido verdadeiros ‘bombeiros’ das comunidades. Chegamos onde mais ninguém chega. Ainda assim, a polícia não nos facilita a vida”, criticou.

Durante o encontro com a imprensa, o responsável destacou ainda a situação da ponte no setor de Cacine, que se encontra praticamente degradada.

“Neste momento, os mototáxis são fundamentais para garantir a mobilidade da população na zona sul do país. Em Bissorã, no norte, chegam a transportar cadáveres devido à falta de outros meios de transporte”, referiu.

O presidente do coletivo acusou também a Federação das Associações de Condutores de cumplicidade com o Governo, justificando assim a não adesão à greve convocada pela federação.

Segundo Biro Seide, a federação terá pressionado o Executivo a aceitar propostas contrárias aos interesses de parte do setor.

Neste sentido, apelou ao Governo para suspender a cobrança das licenças até ao próximo ano, como forma de aliviar as dificuldades enfrentadas pelos mototaxistas.

“A federação obrigou o Governo a aceitar propostas contra a sua própria vontade. Ainda assim, acreditamos que o Executivo poderá reconsiderar a sua posição. Tanto a federação como os motoristas são parceiros do Governo”, concluiu.

Entretanto, o jornal O Democrata contactou o Conselho Fiscal da Federação dos Motoristas em Bissau, mas a organização declinou prestar declarações.

Por: Natcha Mário M’bundé
odemocratagb.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

COLETIVO DE MOTO-TÁXI PEDE A SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DOS IMPOSTOS E CRITICA AS RESTRIÇÕES AS SUAS CIRCULAÇÕES.



O Coletivo dos Condutores e Proprietários de Transportes Rodoviários solicitam, a Direção-geral das Contribuições e Impostos, a suspender durante o presente semestre as cobranças dos impostos que lhes sãos cobrados, propondo que a medida venha a ser retomada apenas no principio do semeste do próximo ano.

O apelo foi feito por Biro Seide, presidente do coletivo durante uma conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, numa das zonas periférica de Bissau, com o objetivo de abordar as principais preocupações, enfrentadas pelos condutores de moto-táxi.

Na ocasião, Biro Seide manifestou preocupação com o despacho do Ministério dos Transportes que limita a circulação dos moto-táxis às ruas dos bairros, proibindo a sua circulação nas principais vias públicas da capital.

Questionado sobre os valores exigidos para o exercício da atividade, o responsável explicou que os operadores são obrigados a pagar 13 mil francos CFA pela licença e 11.500 francos CFA às Finanças, além de efetuarem a renovação da documentação de seis em seis meses.

Seide reconheceu que os moto-táxis, foram inicialmente concebidos para operar em zonas de difícil acesso, mas justificou a presença destes nas principais artérias da cidade, com a necessidade de responder às dificuldades de mobilidade enfrentadas pelos populares, no que tem a ver com os transportes.

Relativamente às diligências efetuadas junto das autoridades, o presidente do coletivo afirmou que os representantes dos moto-taxistas reuniram-se com o Diretor-geral da Viação, que lamentou a situação, mas alegou não ter competências para alterar a decisã, por se tratar de uma orientação superior.

RSM: 03/06/2026